
Adultos que forem levar seus filhos durante a campanha contra sarampo também devem ficar atentos aos seus cartões de vacina. Com o crescimento de casos na Região Norte do país e a confirmação de diagnósticos no Rio de Janeiro e em São Paulo, Minas Gerais entra em alerta máximo para a prevenção contra a doença. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) informou que investiga 76 suspeitas. No último boletim divulgado, na semana passada, eram 63 casos sob análise. Diante deste quadro, a vacinação contra essa enfermidade é a prioridade da campanha nacional iniciada na segunda-feira. Embora a campanha seja centrada nas crianças, a Secretaria detectou que há quase 5,5 milhões pessoas de até 29 anos de idade não protegidas pela doença por não terem recebido a segunda dose tríplice viral/tetraviral, que podem tomar a vacina se necessário. E mais de 2,6 milhões, a maioria com idade acima de 30 anos não receberam nenhuma dose. Especialista aponta que são os adultos que costumam ficar pra lá e pra cá em viagens carregando os vírus.
Febre, manchas avermelhadas pelo corpo, conjuntivite e fotofobia são alguns dos sintomas do sarampo – doença infecciosa viral aguda de alta transmissibilidade que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. A preocupação quanto ao sarampo voltou à tona depois que os estados do Amazonas e Roraima registraram um número anormal de casos confirmados, 519 e 272, respectivamente. Em Minas Gerais, os últimos casos autóctones – nove – confirmados de sarampo, ou seja, com transmissão dentro do território, ocorreram em 1999. Em 2011 e 2013, o estado identificou três casos “importados”, sendo um em 2011 e dois em 2013. Os pacientes, dois irmãos, contraíram sarampo em uma viagem à Flórida, nos Estados Unidos. As vacinas contra o sarampo são a tríplice viral (contra essa doença, a rubéola e a caxumba) ou a tetraviral (que previne ainda a catapora).
A concentração de casos suspeitos – 130 entre 1º de janeiro e o último dia 8, sendo que 54 foram descartados – está entre os menores de 5 anos. Mas os adultos também podem procurar os postos de saúde para tomar o imunizante. “A vacinação contra o sarampo não é direcionada apenas às crianças menores de 5 anos. O esquema vacinal também contempla adultos de até 49 anos de idade. Entretanto, a logística vacinal adulta é individual em cada município”, explicou a SES. Na capital mineira, o imunizante está disponível para essa faixa etária, informou a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte.
O médico e diretor da Sociedade Mineira de Infectologia Carlos Starling alerta para a importância de todos checarem seus cartões. “Adolescentes e adultos também devem buscar a vacina, que não é só coisa de criança. Nosso sistema imunológico precisa de estímulo ao longo de toda a vida, e, com o tempo, principalmente no caso de pacientes idosos, eles vão ficando mais vulneráveis”, apontou ele. Adultos que viajam e que estejam suscetíveis ao vírus do sarampo e não tenham sido imunizados na infância ou tido a doença correm o risco de se contaminar. “O sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade e o risco das pessoas vulneráveis de contrair a doença, uma vez expostas, é de 90%. Então, os adultos podem estar em período de incubação e não saber, confundir os sintomas iniciais com qualquer resfriado e saír transportando esse vírus para regiões onde pessoas susceptíveis podem se infectar. É assim que começam esses surtos ou epidemias”, completou o especialista.
RECOMENDAÇÕES Diante do número de não vacinados, as recomendações são as seguintes: para quem tem entre 2 e 29 anos e nunca se vacinou contra a doença, a SES indica a aplicação de duas doses, com intervalo de 30 dias. Pessoas entre 30 e 49 anos precisam de uma dose para ficar imunes. “Caso o adulto não esteja de posse do cartão, por motivo de perda ou dano, é recomendado que procure o serviço de saúde”, apontou a pasta. Já os maiores de 49 anos são considerados imunes ao sarampo. “A probabilidade de pessoas de mais de 50 anos já terem sido expostas ao vírus do sarampo é muito grande, uma vez que antes da existência da vacina, na década de 1960, o índice de infecção pelo sarampo até os 15 anos de idade era em torno de 90%. Então, não tem risco de ter novamente”, afirmou o especialista.
Vale destacar que somente 382 municípios mineiros (44,78%) estão dentro da meta de cobertura vacinal para o público-alvo (crianças entre 1 e 5 anos), estabelecida em 95%. Ainda de acordo com os dados da pasta, 2.632.156 pessoas não receberam a primeira dose da vacina contra a doença. Desses, 1.057.721 são adultos com idade entre 30 e 34 anos e 872.061 têm entre 35 e 39.
O administrador de empresas Augustus Soares, de 42 anos, foi ao posto de saúde no bairro Paraíso, na Região Leste de BH, para checar o cartão e diminuir as estatísticas. “Vim tomar vacina contra febre amarela e aproveitei para me vacinar contra o sarampo. Já tinha ouvido falar da´tríplice viral/tetraviral, mas não tinha atentado antes (para a necessidade de tomar o imunizante)”, contou ele, que nem a primeira dose tinha recebido até então. “É uma doença de que não tínhamos notícias e, de repente, voltou. É importante fazer a nossa parte e nos proteger e aos nossos filhos”, completou. Em relação aos números da segunda dose, o dado é ainda mais preocupante: 5.479.354 pessoas precisam procurar um posto em Minas.
CASOS INVESTIGADOS Segundo o último balanço, são 130 casos suspeitos notificados, sendo 54 casos descartados e 76 que permanecem em investigação, aguardando a pesquisa laboratorial para processamento das amostras pela Fundação Ezequiel Dias (Funed-MG). Dos casos investigados pela pasta, 57 (75%) estão concentrados na faixa etária até 19 anos, com maior concentração nas crianças entre 1 e 4 anos.
Esquemas de vacinação por faixa etária
1) Aos 12 meses de idade, a criança deverá receber a primeira dose da vacina tríplice viral (que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba).
2) Aos 15 meses de idade, a criança deverá receber a segunda dose com a vacina tetraviral (contra o sarampo, a rubéola, a caxumba e a catapora) ou a vacina tríplice viral e a de varicela monovalente.
3) Pessoas de 2 a 29 anos, caso não tenham nenhum registro de dose da vacina tríplice ou tetraviral, deverão receber duas doses com intervalo de, no mínimo, 30 dias entre a primeira e a segunda.
4) De 30 a 49 anos, caso não tenha nenhum registro de dose da vacina tríplice ou tetraviral, deverá receber apenas uma dose.
5) Após os 49 anos de idade, não é necessária a vacinação porque a população dessa faixa etária é considerada imune.
6) Profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas e outros) de qualquer idade devem ter duas doses válidas da vacina tríplice viral documentadas.
7) Profissionais de transporte (taxistas, motoristas de aplicativos, motoristas de vans e ônibus), profissionais do turismo (funcionários de hotéis, agentes, guias e outros), viajantes e profissionais do sexo devem manter o cartão de vacinação atualizado conforme os esquemas vacinais.
Por Larissa Ricci e Gabriel Ronan - Estado de Minas

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