
O rio Paraopeba já apresenta cor marrom devido à presença da lama de rejeitos que desceu o córrego do Feijão e chegou a manancial, após o rompimento das barragens da Vale em Brumadinho, nessa sexta-feira (25). Na ponte sobre o rio, no Centro do município, moradores observavam com tristeza as mudanças nas águas causadas pela tragédia.
A reportagem observou uma densa mancha de óleo na água do Paraopeba. Troncos de galhos e peixes mortos também boiavam sob o leito. Por causa da presença da lama, a Copasa anunciou que suspendeu a retirada de água do Sistema Paraopeba para abastecer Belo Horizonte e outros municípios da região metropolitana.
Ex-motorista da Vale, Erlei Jesus Cardozo, de 51 anos, disse que os rejeitos de minério chegaram ao rio na madrugada. O irmão de Erlei é funcionário da mineradora e está desaparecido. “É uma tristeza ver o rio dessa maneira. Isso é resultado de uma política que só visa o lucro, sem ligar para o meio ambiente e os trabalhadores”, lamentou.
Chuva
Com a chuva que caiu sobre Brumadinho na tarde deste sábado, a lama se espalhou ainda mais pelo rio. O volume de precipitações também pode prejudicar os trabalhos de resgate, garante o Corpo de Bombeiros.
“Dependendo do volume de chuva as atividades podem ser interrompidas”, informou a corporação via assessoria de imprensa. Até esta tarde, 46 pessoas foram resgatadas com vida, 11 mortes foram confirmadas e mais de 350 pessoas permanecem desaparecidas.

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