
A dificuldade para respirar, a tosse seca, a respiração rápida e curta, o chiado e a dor no peito são os principais sintomas que caracterizam uma crise de asma, como a que vitimou a escritora, roteirista, apresentadora e atriz Fernanda Young, 49, no último domingo. A doença crônica, que afeta as vias respiratórias e os pulmões, não tem cura e, se não tratada, pode levar à morte.
A asma é uma das doenças respiratórias mais comuns, e, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), estima-se que no Brasil existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos, sendo que 20% dos casos são considerados graves.
O Ministério da Saúde disponibiliza desde 2011 medicamentos gratuitos para o tratamento da doença por meio do Farmácia Popular. No entanto, 47% das pessoas diagnosticadas com asma não utilizam a medicação de forma regular, e 73% delas não seguem todas as orientações médicas para o controle da enfermidade, o que pode agravar o problema, conforme dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
De acordo com a pneumologista Angela Pedrosa, muitas vezes, por falta de informação ou até negação da gravidade da doença, os pacientes deixam de fazer o tratamento preventivo das crises. “Temos uma população grande de asmáticos, que muitas vezes não são diagnosticados porque têm asma leve, usam remédios só na crise e não dão tanto valor aos sintomas. Se a pessoa só usa remédio na crise, ela não está fazendo um tratamento preventivo. Então, quando entrar em crise, pode ser mais grave”, alerta.
A professora e maquiadora Flávia Ferreira, 26, convive com a asma desde criança e controla a doença com o uso regular de medicamentos inalatórios uma vez ao dia. “Mesmo com o controle, sinto mais que meus amigos e familiares a mudança do tempo, por exemplo. Sinto que tenho que fazer mais esforço para respirar quando o ar está seco ou muito úmido também. Tomando a medicação, raramente tenho crise, geralmente quando tenho é associada a outra doença respiratória, como gripe”, conta.
Segundo a pneumologista, o diagnóstico da asma é clínico, ou seja, é feito por meio da identificação dos sintomas, mas, caso seja necessário, o médico pode pedir um exame chamado prova de função pulmonar, para detectar alteração do fluxo de ar dos pulmões. “Após o diagnóstico, o tratamento da asma é contínuo, porque é uma doença que não tem cura, mas tem excelente controle com medicamentos”, afirma Angela.
Inflamação pode ter diferenças
Asma e bronquite são a mesma coisa, caracterizam-se pela inflamação dos brônquios. Porém, segundo a pneumologista Angela Pedrosa, a asma é crônica e, muitas vezes, acompanha o paciente desde a infância. Já a bronquite pode ser apenas um episódio de inflamação dos brônquios.
A asma varia muito de pessoa para pessoa e num mesmo indivíduo. Tem épocas em que pode ser muito leve e os sintomas desaparecem e tem momentos em que pode piorar muito, necessitando atendimentos de emergência e até mesmo internação. “Já tive duas crises bem fortes de ter que ir parar no hospital, mas resolveu rápido. Para mim, o pior gatilho para as crises é a fumaça de cigarro, irrita muito meus pulmões. Em segundo lugar, a poeira, pois, como sou alérgica, além da asma, fico tossindo e com o corpo inteiro coçando”, conta a professora e maquiadora Flávia Ferreira.

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