
O Coletivo Feminista Várias Marias acredita que o fortalecimento da economia feminista é essencial para a emancipação das mulheres. Por isso, criou a Revista da Mulher Trabalhadora. A necessidade do projeto surgiu diante dos dados alarmantes que demonstram como a força de trabalho feminina é mal remunerada.
Não é novidade para ninguém que as mulheres enfrentam uma jornada dupla - e por vezes, tripla - de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) de 2019 apontam que as mulheres compõem 45,6% da força de trabalho formal, em um universo de 86,7 milhões de pessoas ocupadas. No entanto, a renda média da mulher brasileira é de R$1.874, enquanto a do homem é R$2.382.
Além da ocupação formal, ainda recai sobre as mulheres a maior responsabilidade pelos afazeres domésticos, um esforço invisível e não remunerado. Mulheres gastam 18h por semana a mais que os homens nos afazeres domésticos. Entre as mulheres que não estão em emprego formal, cerca de 20% delas justificaram “não ter tomado providência para conseguir uma ocupação por ter que cuidar de afazeres domésticos, de filho ou de outro parente” (IBGE). Entre a população masculina desocupada, esse mesmo motivo representou apenas 2,2% das respostas, algo que escancara que as dificuldades femininas de ingresso no mercado de trabalho perpassam pela divisão injusta dos cuidados com o lar e a família.
Assim, a Revista da Mulher Trabalhadora surge como uma tentativa de reverter esse quadro e valorizar a força de trabalho feminina. A publicação será online e de divulgação trimestral. O projeto pretende abarcar mulheres autônomas dos mais diversos segmentos, entre advogadas, artesãs, cuidadoras, diaristas, cozinheiras, psicólogas… Podem se cadastrar mulheres de Sete Lagoas que atuem em qualquer ramo. Será uma forma de a população consultar produtos e serviços ofertados por mulheres e dar preferência para a contratação dessas pessoas, que, como já comprovado por dados, têm a renda comprometida pela desigualdade de gênero.
As inscrições para participar da revista foram prorrogadas até sexta-feira, dia 03/07/2020, às 23h59, e podem ser realizadas no link: https://bit.ly/3dlmxkl . Valorizar a economia feminista é um passo importante para a emancipação das mulheres, e em tempos de pandemia, em que estamos impossibilitadas de realizar a Feira Feminista, encontramos na Revista uma forma de seguir contribuindo no fortalecimento da renda das sete-lagoanas.
Divulgue essa iniciativa e faça o projeto alcançar mais trabalhadoras!

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