
Desde o começo da pandemia, Minas Gerais aumentou em 61,7% o número de leitos de UTI do SUS. Em fevereiro, eram 2.072 vagas. Agora, já são 3.351. O desafio não para na infraestrutura hospitalar e chega à contratação de profissionais de saúde. Segundo dados da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), para cada dez leitos, é necessária uma equipe de 43 pessoas. E, para cada sete vagas de trabalho ofertadas pela fundação, uma ainda não foi preenchida.
De março até agora, a Fhemig publicou 22 editais com 700 vagas para áreas como medicina, enfermagem, farmácia, assistência social, nutrição, psicologia e fisioterapia. Segundo a diretora de Gestão de Pessoas da Fhemig, Alice Guelber, desse total, 400 contratos já foram assinados, 200 estão em andamento, e cem postos não foram preenchidos.
Das cem vagas em aberto, a maioria é para médicos. “A dificuldade está relacionada ao contexto que vivemos, com muita demanda por esses profissionais. Para se ter uma ideia, fizemos um edital com 22 vagas para o Hospital Regional João Penido, em Juiz de Fora, e só conseguimos contratar 13 médicos. No começo, alguns dos chamamentos que fizemos foram desertos”, lembra Alice.
Para tornar as vagas mais atrativas, o governo do Estado teve que autorizar o aumento da remuneração da jornada de 24 horas do médico de R$ 5.800 para R$ 9.000. O valor, que não inclui abonos, ajuda de custo e gratificações, é uma média encontrada após pesquisa de salários pagos por hospitais privados, que também estão contratando muito.
O secretário adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, explica que a administração pública, mesmo em contratações emergenciais, tem limitações e precisa observar alguns requisitos. “Há também a limitação dos valores pagos em razão das necessidades a que o Estado precisa fazer frente e dos recursos públicos que, naturalmente, precisam ser destinados a uma série de atividades”, justifica Cabral.
Chamamentos
Apesar das dificuldades, o Estado continua fazendo constantes chamamentos, como um de 67 vagas para o Hospital Júlia Kubitschek, que já está na fase final, e outro de 275 vagas para o Hospital de Campanha do Expominas, em BH.
A diretora de Gestão de Pessoas da Fhemig ressalta que o desafio vai além da contratação, pois, num momento em que a demanda é crescente, o quadro de profissionais está reduzido. “Por Covid-19, temos 167 servidores afastados, segundo dados até 1º de julho. Esse número é pequeno, é cerca de 1% dos 13,5 mil servidores da rede. Isso mostra o sucesso de nossos protocolos de segurança e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Mas, considerando os afastamentos de profissionais que fazem parte do grupo de risco, férias e outras licenças, chegamos a 30% do quadro”, calcula Alice.

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