
Paralelamente às vacinas estrangeiras contra o novo coronavírus (Covid-19) que estão sendo testadas no Brasil, um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina e Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) está animado com o avanço do desenvolvimento de imunizante em formato nasal que é totalmente desenvolvido no país. Os últimos testes apontaram sucesso do antídoto. Se tudo correr bem, é possível que ele esteja disponível já em 2021.
O grande diferencial desse imunizante em relação à vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, ou a produzida pelo laboratório chinês Sinovac, é que o brasileiro não será aplicado em forma de injeção, como explicou Marco Antonio Stephano, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e responsável pelo projeto, em entrevista concedida à revista Exame.
“A vacina aplicada por um spray nasal permite a criação dois tipos de anticorpos e não somente aquele criado quando a vacina é administrada por injeção”, explica Stephano,.
Segundo o especialista, a aplicação intranasal permite que a vacina chegue nas vias aéreas superiores e nos pulmões, o que faz com que o sistema imunológico atue já no começo da infecção.
A expectativa é de que o imunizante, que está em fase pré-clínica, esteja disponível no segundo semestre de 2021. Assim que estiver aprovado, ele deverá ser aplicada em quatro doses (duas em cada narina) com um intervalo de alguns dias entre as aplicações. Isso permite que o composto de nanopartículas possa permanecer tempo suficiente no organismo do paciente, ao ser acoplado na mucosa nasal, para fortalecer o sistema imunológico no combate ao vírus SARS-CoV-2. “O desenvolvimento é um pouco mais lento do que a vacina injetável porque até hoje existem poucas vacinas aplicadas em forma de spray nasal”, diz Stephano.
Porém, ainda que mais lento, o spray traz vantagens em relação às demais vacinas injetáveis, principalmente em relação às reações alérgicas. Além disso, segundo Stephano, a produção das quatro doses da vacina aplicada por spray nasal custa algo em torno de 100 reais, bem mais em conta que os 40 dólares estabelecidos como o preço da vacina que está sendo desenvolvida pela farmacêutica americana Pfizer com a empresa alemã BioNTech.

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