O presidente Jair Bolsonaro disse que "não adianta ficar chorando em casa" no dia em que o Brasil registrou 1.452 mortes pelo novo coronavírus em 24 horas, maior número desde julho. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, ele disse que "a vida continua" e falou em retomar o trabalho para não parar a economia.
Além disso, após passar meses defendendo a cloroquina como tratamento precoce contra a Covid-19, defendeu um novo medicamento sem eficácia comprovada como possível solução. Segundo ele, foi marcada uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, para conversar sobre o remédio, ainda em estudo por cientistas israelenses.
"A vida continua. Temos de enfrentar as adversidades. Não adianta ficar em casa chorando", afirmou Bolsonaro. "Voltar a trabalhar porque sem a economia não tem Brasil." Desde o início da pandemia, ele tem sido forte crítico do isolamento social, apareceu em aglomerações e em eventos sem máscaras - o que contraria as recomendações de infectologistas.
Também mencionou encontro para tratar do spray nasal, cuja eficácia contra o vírus ainda não foi confirmada por testes científicos. "Já está acertado o encontro virtual entre eu e Binyamin Natanyahu para falarmos sobre esse novo spray que está servindo, pelo menos experimentalmente ainda, para pessoas em estado grave", disse Bolsonaro. Apesar da ressalva de que é "experimental", o presidente defendeu a aplicação. "Está em estado grave? Toma, poxa. Vai esperar ser entubado?"
Na semana passada, Israel anunciou que um medicamento experimental contra o câncer pode ajudar na recuperação de pacientes com coronavírus. Acadêmicos israelenses afirmaram que 29 dos 30 pacientes com casos moderados a graves de covid-19 tratados com EXO-CD24 tiveram uma recuperação completa em cinco dias. O medicamento, que é inalado, foi originalmente desenvolvido para combater o câncer de ovário e ainda requer mais testes.
"É uma tremenda de uma notícia. Espero que seja realmente eficaz para o tratamento da covid", comentou o presidente.
O estudo não comparou a droga a um placebo, o que significa que os cientistas não podem afirmar com certeza se o medicamento está por trás da rápida recuperação dos pacientes. O tamanho da amostra dos testes também é muito baixo para tirar qualquer conclusão sobre a eficácia do medicamento e os dados não foram publicados em um jornal especializado.
Apesar disso, a ideia de Bolsonaro é trazer o remédio para o Brasil para submeter para análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O presidente destacou que está debatendo o assunto com o ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores.
Na live desta quinta-feira, Bolsonaro voltou a defender o tratamento off label, fora da bula, e o uso da hidroxicloroquina contra a covid-19 e comparou com as vacinas, dizendo ainda não haver "certificado" para os imunizantes, o que é mentira.
"Quando eu falei remédio lá atrás, levei pancada. Bateram em mim até não querer mais. E a vacina? Entrou na pilha da vacina. O cara que entra na pilha da vacina, só a vacina, é um idiota útil porque nós devemos ter várias opções", disse. Quem está contaminado tem que ir para o tratamento precoce, procurar algum médico, em comum acordo, ele vai falar: 'Não temos medicamento para tratar disso. Mas temos esse, que em muitos casos tá servindo'. Não tem a comprovação científica, assim como as vacinas não têm ainda um certificado definitivo."
Estudos publicados em revistas científicas já comprovaram a eficácia de vacinas de diferentes fabricantes, incluindo as de Oxford/AstraZeneza e a Coronavac, usadas no Brasil após aval da Anvisa.

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