
O deputado federal Aécio Neves (PSDB) declarou que uma eventual aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores é pouco provável, mas não pode ser completamente descartada no atual cenário político. A possível articulação envolveria apoio à candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo de Minas Gerais.
Em entrevista à coluna Poder em Minas, Aécio criticou a gestão federal conduzida pelo PT, mas destacou que mantém uma relação institucional respeitosa com Lula. Ele também citou sua proximidade com lideranças petistas em Minas, como a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos.
Ao abordar o fenômeno conhecido como “Lulécio”, ocorrido em 2006 - quando eleitores dividiram seus votos entre Aécio para o governo estadual e Lula para a presidência -, o deputado afirmou que o episódio foi resultado de uma combinação de fatores, e não de um acordo político formal.
Segundo ele, naquele período, seu governo apresentava bons resultados, enquanto programas federais, como o Bolsa Família, tinham grande impacto nas regiões mais vulneráveis, contribuindo para esse alinhamento espontâneo. Ainda assim, ponderou que não há garantia de que esse cenário possa se repetir.
Aécio também defendeu a retomada do diálogo entre diferentes níveis de governo e criticou a postura da gestão estadual de Romeu Zema, apontando uma redução na interlocução com o governo federal.
Sobre a possibilidade de um palanque conjunto em torno de Rodrigo Pacheco, o parlamentar adotou cautela: “Não é fácil construir essa aliança, mas na política nada é impossível”, afirmou.
Histórico de parceria entre PSDB e PT
Apesar da rivalidade histórica entre PSDB e PT, os partidos já estiveram alinhados em Minas Gerais. Em 2008, o então governador Aécio Neves e o então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), apoiaram juntos a candidatura de Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura da capital.
Aécio relembrou o episódio como uma tentativa de formar uma frente política mais ampla, com o objetivo de reduzir a polarização. No entanto, segundo ele, o PT não demonstrou interesse em expandir essa estratégia para o restante do país, optando por manter o cenário polarizado.
O deputado também elogiou Marília Campos, destacando sua atuação e relembrando parcerias realizadas durante sua gestão com administrações petistas, como no município de Contagem.
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