Refugiados da Venezuela que estão num abrigo da prefeitura de Belo Horizonte testaram positivo para Covid-19. Alguns tiveram a confirmação da doença e outros aguardam os resultados dos exames.
O grupo, com 74 indígenas da etnia Warao, que chegou no 28 de setembro, está no abrigo São Paulo, no bairro Primeiro de Maio, região Norte da capital. O abrigo tem duzentas vagas para pernoite e costuma receber cerca de 160 pessoas todos os dias.
Depois que saíram da Venezuela, os refugiados passaram por várias cidades no Brasil.
Entre elas Itabuna e Teixeira de Freitas, na Bahia. No Espírito Santo estiveram em São Matheus, Guarapari, Serra e Vila Velha. Ao chegar em Minas passaram por Juiz de Fora, Santa Luzia e agora, Belo Horizonte.
O serviço jesuíta, que dá apoio a migrantes e refugiados, informou que as famílias de indígenas venezuelanos estão no abrigo, mas em uma área separada.
"É uma população nômade. Chegaram pela fronteira norte do Brasil, de lá passaram por outros estados e cidades. Eles vieram por conta própria. Pegaram ônibus de uma cidade pra outra", afirma Henrique Galhano, analista social do serviço Jesuíta.
Uma testemunha, que não quer se identificar, denuncia que os indígenas estão em péssimas condições.
“Os índios da Venezuela, aproximadamente uns 60, 70 índios que vieram aí, da Venezuela, tudo jogado lá dentro de um galpão, no tempo, tudo em condições precárias de ser humano. A porta do abrigo, todo cheio de barraca, todo cheio de colchão. Lá dentro do abrigo, os banheiros todos sujos, os corredores todos sujos, as portas quebradas, janela quebradas, tudo aí em condição de mau uso pro cidadão. Mesmo assim para um cidadão que se encontra aí, em situação de rua, é muito precário o atendimento lá do abrigo São Paulo. É uma vergonha para o município de belo horizonte”.
Outra denúncia de frequentadores do abrigo e prestadores de serviços é que parte dos imigrantes têm sintomas de Covid-19.
“Eles estão com febre, dor no corpo, falta de ar. Uns foram pro posto do bairro São Paulo, outros pra Upa Norte", afirmaram os denunciantes.
O grupo fez exame para detectar a doença e espera o resultado, mas já há casos de coronavírus confirmados entre eles.
A prefeitura não informou quantos, mas em nota reconhece que há indígenas contaminados.
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A PBH afirma ainda que “todas as pessoas com resultado positivo foram prontamente atendidas pelas equipes. O grupo está instalado no abrigo de forma emergencial e provisória, em uma ala específica do abrigo São Paulo, com cobertores, mascaras colchonetes e banheiros químicos. Por estarem em área especifica, não há contato com outros usuários. Todos os profissionais envolvidos nas ações já foram vacinados”.

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