Das vidraças que separam os corredores dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Santa Casa de Belo Horizonte é possível observar a vulnerabilidade de idosos, adultos e jovens que precisaram ser hospitalizados após infecções graves pela Covid-19 desde o início de janeiro, com a transmissão em ritmo acelerado da variante ômicron.
Há pacientes que necessitaram de internação, mesmo com esquema vacinal completo, devido a doenças preexistentes. Mas a maioria foi por não confiar na eficácia das vacinas.
“Todos eles, pacientes e familiares, me trazem uma culpa muito grande se questionando o porquê de não terem se vacinado e se a vacina os livraria da internação”, conta a psicóloga Daniela Pacheco, entre uma videochamada e outra com familiares de pessoas sob cuidados médicos na UTI.
No Estado, a estimativa é que 80% dos internados após a contaminação, em janeiro, não tinham registro de vacinação. “Agora, eles dão outro significado para a vacina. E agora, internadas, estão na posição do doente que precisa do recurso da ciência”, observa Daniela.

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