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Saúde Estudo

Café traz benefícios à saúde e ao bem-estar, apontam estudos e especialistas

Estudo comprova que, para além de outros proveitos, consumo moderado pode reduzir a mortalidade

21/06/2022 às 16h59 Atualizada em 21/06/2022 às 17h04
Por: Redação Fonte: Mega Cidade com O Tempo
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Café traz benefícios à saúde e ao bem-estar, apontam estudos e especialistas

Dos ritos do dia a dia, tomar uma ou mais xícaras de café, principalmente pela manhã, mas também após o almoço ou à tarde, é momento sagrado. Na rotina do designer Marcelo Cardoso, 40, por exemplo, a popular bebida ajuda a despertar e traz sensação de melhora da capacidade de atenção. “Eu só não posso tomar muito a partir de 15h, porque acaba atrapalhando meu sono”, pondera. O cozinheiro Antônio da Conceição, 60, é outro consumidor assíduo de um bom cafezinho, preferencialmente passado na hora. E ele também acredita que a substância faz bem. “Na medida certa, acho que é um hábito benéfico. Só não pode é exagerar”, opina. 

Aparentemente, essa percepção popular de que o café pode favorecer a saúde e o bem-estar é ratificada pela ciência. Pelo menos é o que indica um estudo publicado recentemente pela revista médica “Annals of Internal Medicine”, ligada à American College of Physicians, que concluiu que o consumo moderado de café, adoçado ou não, está associado à diminuição da mortalidade.

Vale dizer que revisões de pesquisas sobre o tema apontam que, quando se fala em moderação, estamos falando de uma a quatro xícaras diárias – o equivalente a, no máximo, 400 mg de cafeína por dia. Nessa proporção, há evidências que, apesar de não serem definitivas, indicam que os adeptos do cafezinho podem ter um risco menor de problemas de saúde como obesidade, certos tipos de câncer e diabetes tipo 2 – doença crônica que afeta a forma como o corpo processa o açúcar no sangue. 

Em um editorial sobre a pesquisa, Christina Wee, professora associada de medicina da Harvard Medical School e editora adjunta do “Annals of Internal Medicine”, destacou que, embora não conclusiva, a investigação descobriu que o consumo moderado de café, mesmo com adição de açúcar, provavelmente não é prejudicial para a maioria das pessoas e parece estar associado a uma redução de 30% no risco de mortalidade. “Essas descobertas sugerem que as pessoas que bebem café podem continuar a fazê-lo sem motivo de preocupação, o que é uma boa notícia para uma grande parte da população”, escreveu.

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A apuração incluiu mais de 170 mil participantes, que não tinham diagnóstico de doença cardiovascular ou de câncer quando começaram a ser acompanhados. O prontuário médico deles foi analisado por, em média, sete anos.

Componente social 

Mais que apenas uma bebida desejada por possuir alguns nutrientes e a famigerada cafeína, o café também deve ser analisado sob o prisma do comportamento, uma vez que é parte intrínseca do conjunto de costumes, hábitos e cultura de diversos povos.  

Tomar com calma um cafezinho, preferencialmente fumegante, é algo que compõe o etos da mineiridade, para ficar em um exemplo local. Prova disso é a fama, várias vezes reiterada, de que o mineiro é tão hospitaleiro que o coado sempre se faz presente para acompanhar a boa prosa. “Trata-se de uma bebida que, por uma série de fatores socioculturais, está relacionada a identidades regionais e, há muito tempo, funciona como um meio de facilitar o estreitar de laços”, analisa a turismóloga Izabella Torres.  

Mas é também verdade que nem todos são conquistados pelo resultado da infusão dos grãos torrados e moídos logo após o primeiro gole. Caso dela própria, que só foi descobrir o amor pelo café quando iniciou um estágio obrigatório da graduação em turismo, que ela cursou pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na ocasião Izabella passou um mês estudando o potencial turístico de cidades adjacentes ao leito do rio Doce.  

“Fizemos visitas em fazendas com todo tipo de produção”, lembra, citando que, em meio à profusão de cachaças, rapaduras, queijos e doces, foi na bebida que ela encontrou unidade. “Dos ranchos mais opulentos aos mais humildes, em todo lugar a que fomos, tínhamos que tomar cafezinho”, recorda. E era enquanto bebericava o coado que a conversa se desenrolava. “Era nessas horas que sabíamos as histórias. E, assim, descobri o potencial da bebida em termos de sociabilidade”, pontua.  

A partir de então, os grãos passaram a fazer a cabeça de Izabella, que, no trabalho de conclusão de curso, se voltou a eles. “Estudei o ‘evento café’ como momento de interação entre o visitante e o visitado”, explica, admitindo que o interesse pela substância foi tanto que, esporadicamente, ela faz cursos e, claro, explora sabores, origens, formas. E, de tanto gosto, acabou tatuando a planta no braço. “Não só é uma bebida muito rica, com grande quantidade de aromas, torras, grãos, como também representa essa possibilidade, a de me descobrir no encontro com o outro”, justifica. 

As observações da turismóloga estão alinhadas com o que a pedagoga Yara Leite acredita ser uma das principais qualidades do café. “Eu acredito que o hábito de tomar um cafezinho é algo que só me faz bem. E ainda nos leva a socializar. Tomar uma xícara com amigos, não tem nada melhor”, celebra ela, que, não por acaso, voltava de uma cafeteria quando falou com O TEMPO

Saindo do óbvio 

Há diversas formas de extração que fazem toda a diferença na hora de preparar a sua xícara de café. Veja algumas: 

Prensa francesa. Ainda é pouco conhecida no Brasil. Usa moagem mais grossa. O café fica denso, com a presença dos óleos essenciais, sedimentos e aromas naturais. 

Moka. Também chamada “cafeteira italiana”, é popular em todo o mundo. Para essa técnica, o ideal é o uso de moagem mais grossa. O resultado é uma bebida concentrada, próxima do expresso. 

Chemex. Esta é outra forma de preparar o café coado. Nele, usa-se papel mais grosso e moagem média, garantindo uma bebida leve e aromática, sem deixar resíduos na xícara. 

V60. Técnica se diferencia do filtro comum pelo orifício maior e ranhuras que facilitam a circulação de água. Usa moagem média. Acidez e doçura são evidenciadas por essa técnica.

Efeitos colaterais 

Recentemente, manchetes sobre a morte de um britânico por overdose de cafeína ganharam as redes sociais. No caso, ele calculou mal a dosagem de um suplemento e ingeriu, de uma vez, o equivalente a 200 doses de café. 

É evidente que este é um caso atípico e extremo, mas o consumo exagerado de café traz outros tantos prejuízos, com os quais muitos já estão familiarizados. O depoimento do designer Marcelo Cardoso, 40, que abriu esta reportagem, dá pistas de um desses problemas: a insônia. Não por acaso, o psiquiatra Dirceu de Campos Valladares Neto contraindica o consumo da bebida – bem como de outras bebidas estimulantes – perto do período do repouso noturno. 

A aposentada Lucília Teixeira, 61, também sofre por causa do café. “Se eu não tomar, minha cabeça dói”, relata. A cefaleia, de fato, pode ser sintoma da abstinência da cafeína. O problema pode ser superado por uma redução gradual do volume da substância ingerida diariamente. 

Além da insônia e dor de cabeça, o exagero da substância pode provocar náusea, taquicardia, tremores de extremidade e até crises de ansiedade.

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