

Ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) durante o governo dele, Mauro Cid declarou à Polícia Federal (PF), no âmbito do acordo de delação premiada, que o então mandatário o orientou a descobrir o preço de mercado de um relógio da marca de luxo Rolex e de outras peças valiosas, presentes oficiais dados pela Arábia Saudita.
A informação é da coluna de Andréia Sadi no G1 e foi publicada nesta sexta-feira (10). Quatro dias atrás, a colunista Bela Megale, de O Globo, detalhou que Cid indicou em sua delação os pormenores do funcionamento do 'gabinete do ódio' de Jair Bolsonaro.
No início de setembro, o tenente-coronel firmou a delação premiada com a Polícia Federal, e o acordo foi homologado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Cid apontou o ex-presidente da República como mandante de, pelo menos, dois crimes: peculato e lavagem de dinheiro.
Em relação às joias e ao relógio de luxo, Cid afirmou que o presidente pediu que ele fizesse uma lista com os presentes oficiais recebidos e que poderiam ser negociados para quitar dívidas que se acumulavam; como, por exemplo, as multas de trânsito por não usar capacete nas motociatas, os gastos com o transporte do acervo de presentes e os pagamentos de uma condenação após processo movido pela deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).
Cid, segundo disse à PF, analisou quais eram as peças mais fáceis de avaliar o valor e pediu ao Gabinete Adjunto de Documentação História (GADH) uma lista com os relógios recebidos pelo presidente. Após ter acesso à relação, Bolsonaro teria autorizado que Cid vendesse o relógio.
Em suas redes sociais nesta sexta-feira, um dos advogados de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, ironizou as declarações de Cid. "A chance do tenente-coronel Mauro Vieira ter recebido uma demanda do presidente Jair Bolsonaro para avaliar um relógio Rolex nos EUA é tão real quanto o presidente produzir o remake de Roque Santeiro e exibi-lo na TV Globo", escreveu.
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