
As deputadas estaduais Bella Gonçalves (PSOL) e Leninha (PT), que fazem oposição ao governo de Romeu Zema (Novo), acionaram o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para solicitar a apuração do uso de aeronaves oficiais pelo governador.
As representações encaminhadas ao tribunal passam, inicialmente, por análise da presidência da Corte. Caso sejam considerados presentes os requisitos de admissibilidade, os pedidos são distribuídos a um conselheiro relator para prosseguimento da apuração.
Em 2025, houve aumento no número de viagens realizadas pelo governador, acompanhado de um crescimento expressivo nos gastos com combustível de avião, que atingiram quase R$ 1,5 milhão em valores liquidados — o maior patamar já registrado.
Levantamentos indicam que compromissos de pré-campanha fora de Minas Gerais ocorreram em datas próximas a agendas institucionais nas mesmas cidades, o que levantou questionamentos sobre a possível utilização de aeronaves oficiais em atividades de cunho eleitoral. Zema é pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo.
Dados do Portal da Transparência mostram ainda que o tempo de voo do governador em aeronaves oficiais aumentou em 2025. Foram registradas 198 horas de voo, frente a 186 horas em 2024, representando um crescimento de 6,4%.
O governo estadual foi procurado para se manifestar sobre as representações protocoladas no TCE e sobre o uso das aeronaves oficiais, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
Denúncias apresentadas ao TCE
Embora tenham protocolado pedidos separados, Bella Gonçalves e Leninha apresentaram questionamentos com o mesmo teor. No documento encaminhado por Bella Gonçalves, a deputada solicita “a instauração de procedimento de apuração para verificar a legalidade, legitimidade, economicidade e finalidade dos gastos públicos relacionados ao uso de aeronaves oficiais pelo governador do estado”.
O texto também destaca que a legislação eleitoral impõe limites à utilização de bens e serviços públicos em benefício de projetos eleitorais, inclusive durante a fase de pré-campanha, alertando que o uso indevido de recursos estatais pode comprometer a isonomia do processo democrático e a neutralidade da administração pública.
Já Leninha afirmou que o pedido tem como objetivo resguardar o interesse público, assegurar a correta aplicação dos recursos estaduais e preservar a lisura do processo democrático.
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