
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, na manhã desta terça-feira (17), a Operação Kodama, uma ação de grande porte voltada ao combate a uma organização criminosa suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro e crimes ambientais. Ao todo, foram mobilizadas equipes para cumprir 25 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Sergipe e no Distrito Federal. No território mineiro, os alvos incluíram cidades consideradas estratégicas, como Três Marias, Belo Horizonte e municípios das regiões Norte e Sul do estado.
As investigações, conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Meio Ambiente, apontaram um esquema complexo que utilizava documentos ambientais falsificados para legalizar carvão vegetal de origem ilegal, produzido a partir da retirada de madeira de mata nativa ou de plantios irregulares de eucalipto.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo atuava em toda a cadeia produtiva, desde o setor florestal até a indústria siderúrgica. O esquema contaria com aporte de recursos vindos do exterior, direcionados para empresas instaladas principalmente no Norte de Minas. Essas empresas funcionariam como “fábricas de papel”, emitindo notas fiscais e guias ambientais com volumes de produção incompatíveis com sua capacidade real, chegando a superar os números de companhias consolidadas do setor.
Para dificultar o rastreamento dos verdadeiros responsáveis e do fluxo financeiro, a organização utilizava empresas registradas em nome de terceiros — os chamados “laranjas” — além de companhias de fachada, que não possuíam estrutura operacional para a movimentação declarada. Relatórios de inteligência financeira também identificaram movimentações suspeitas, com valores incompatíveis com as atividades legais declaradas pelos investigados.
Os danos ambientais são considerados significativos. Em apenas uma área fiscalizada, foram localizados cerca de 9 mil metros cúbicos de carvão irregular, carga avaliada em aproximadamente R$ 3,4 milhões. Em escala global, a exploração ilegal de madeira provoca perdas tributárias que podem chegar a US$ 9 bilhões por ano, segundo estimativas do Banco Mundial.
Medidas judiciais e apreensões
Com base na representação da Polícia Civil, o Poder Judiciário autorizou uma série de medidas para atingir a estrutura financeira do grupo investigado.
Entre elas está o bloqueio de ativos financeiros que podem somar até R$ 112 milhões. Também foi determinada a restrição de veículos ligados aos investigados, avaliados em mais de R$ 10 milhões.
Ao todo, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão direcionados a diferentes envolvidos no esquema. No âmbito administrativo, também foram aplicadas sanções como a suspensão de CNPJs e da emissão de guias ambientais, com o objetivo de interromper as atividades ilegais.
Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes ambientais. Além de Três Marias e Belo Horizonte, a operação também ocorreu em cidades como Várzea da Palma, Taiobeiras, Aracaju (SE) e Brasília (DF). Agora, o material apreendido será analisado para reforçar as provas e impedir a dissipação do patrimônio obtido de forma ilegal.
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