
Nos dois primeiros meses de 2026, Minas Gerais registrou 32 casos de feminicídio. De acordo com o Ministério da Justiça, o número representa um aumento superior a 33% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já os homicídios dolosos contra mulheres chegaram a 290 ocorrências, o que equivale a uma média de quase cinco por dia.
Para Amanda Lagreca, pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões, um dos fatores que explicam esse cenário é a ausência de políticas públicas estruturadas para impedir o início do ciclo de violência. “Faltam ações de prevenção e enfrentamento organizadas. Muitas vezes, essas políticas só entram em cena quando a mulher já sofreu diversas agressões e, na maioria dos casos, é difícil reverter esse desfecho. Assim, permanecemos em um limbo, onde as mulheres continuam morrendo”, afirma.
Dois feminicídios e uma tentativa em menos de 24 horas
Apenas nesta segunda-feira (23), dois feminicídios e uma tentativa foram registrados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.
Em Ribeirão das Neves, a Polícia Militar apura a morte de Viviane Fernandes de Oliveira, de 40 anos. Segundo as informações, ela foi atacada dentro de casa enquanto dormia, com golpes na cabeça usando um pedaço de madeira. O principal suspeito é um vizinho, preso poucas horas após o crime. Ele confessou a autoria e alegou desentendimentos anteriores com a vítima.
Já em Betim, no bairro Icaivera, o corpo da adolescente Gabrielly Marques de Oliveira, de 16 anos, foi localizado após dias de desaparecimento. Dois jovens, de 18 e 19 anos, se apresentaram à polícia, confessaram o assassinato e indicaram o local onde o corpo estava, em uma área de mata. A jovem foi atingida por seis disparos.
Em Vespasiano, uma mulher de 37 anos foi vítima de tentativa de feminicídio. Ela foi esfaqueada pelo companheiro na rua onde mora. Conforme a polícia, familiares relataram que a vítima já havia sofrido agressões anteriormente.
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