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Empresários de Sete Lagoas vão aos EUA para tentar barrar nova tarifa sobre o ferro-gusa brasileiro

Setor teme que aumento da taxação inviabilize exportações, afete empregos e comprometa a cadeia siderúrgica nos Estados Unidos

08/07/2026 às 17h00
Por: Redação Fonte: 7Dias News
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Representantes da indústria do ferro-gusa de Sete Lagoas participaram de audiências públicas nos Estados Unidos para tentar retirar o produto brasileiro da lista de novas tarifas de importação anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, as audiências foram realizadas nesta terça-feira (7) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington.

O objetivo do setor é impedir que o ferro-gusa brasileiro seja atingido por uma nova tributação prevista para entrar em vigor no próximo dia 15.

Atualmente, o produto já está sujeito a uma tarifa de 10%, que expira no dia 24. A preocupação dos produtores é que a soma de uma nova tarifa de 25%, prevista pela legislação comercial americana, com outros 12,5% relacionados a alegações sobre falhas no combate ao trabalho forçado eleve a tributação total para 37,5%.

Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), esse percentual poderá comprometer a competitividade do produto brasileiro e inviabilizar parte das exportações para o principal mercado consumidor.

Durante as audiências, o empresário Frederico Henriques Lima e Silva, presidente da SDS Siderúrgica, de Sete Lagoas, e representante do Sindifer, afirmou que cerca de 70% de todo o ferro-gusa importado pelos Estados Unidos é produzido no Brasil, enquanto a produção americana representa menos de 6% da demanda do país.

Dados do Sindifer mostram que o Brasil exportou, em 2025, cerca de 4,06 milhões de toneladas de ferro-gusa, movimentando US$ 1,67 bilhão. Desse total, aproximadamente US$ 1,5 bilhão tiveram como destino empresas norte-americanas.

Minas Gerais respondeu por 70,6% das exportações brasileiras do produto, com vendas que somaram US$ 1,18 bilhão.

Segundo Frederico Henriques, representantes de siderúrgicas, fundições e empresas consumidoras dos Estados Unidos manifestaram apoio ao pedido brasileiro durante as audiências, argumentando que o aumento das tarifas poderá elevar os custos da indústria americana e afetar a cadeia de suprimentos.

Além do aspecto econômico, o setor destacou que boa parte do ferro-gusa brasileiro é produzida com carvão vegetal, processo considerado menos poluente e que contribui para a redução das emissões de carbono na produção de aço.

Enquanto o governo norte-americano não define quais produtos serão isentos das novas tarifas, diversas negociações comerciais permanecem suspensas.

A SDS Siderúrgica informou que cerca de 40% da produção da unidade de Sete Lagoas é destinada ao mercado americano. Na unidade de Divinópolis, entre 60% e 70% da produção também é exportada para os Estados Unidos.

Segundo o Sindifer, algumas siderúrgicas brasileiras dependem do mercado americano para até 90% das exportações. O setor avalia que a nova tarifação poderá reduzir as vendas externas, afetar empregos, comprometer investimentos e provocar paralisações em usinas brasileiras.

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