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Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

Pedido protocolado na Justiça de São Paulo envolve dez empresas do grupo; companhia prevê demissão de cerca de 3 mil funcionários e fechamento de quase 300 lojas

17/08/2026 às 10h55
Por: Redação
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O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na noite deste domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. A empresa declarou uma dívida total de R$ 17,3 bilhões.

O pedido envolve dez empresas da holding, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com, a fabricante de móveis Bartira e subsidiárias das áreas de logística e tecnologia.

Do total da dívida, R$ 16,4 bilhões são devidos a credores quirografários, ou seja, sem garantia. Outros R$ 754 milhões correspondem a credores trabalhistas e R$ 154 milhões a microempresas e empresas de pequeno porte.

Demissões e fechamento de lojas

No pedido apresentado à Justiça, o grupo informa que pretende realizar a demissão de aproximadamente 3 mil funcionários, de um quadro de 30.117 colaboradores.

A empresa também prevê o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, a Casas Bahia possui mais de 700 unidades físicas, enquanto o Ponto Frio conta com mais de 65 lojas.

A recuperação judicial ocorre cerca de dois anos depois de a varejista concluir uma recuperação extrajudicial, que havia reestruturado R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras em abril de 2024.

Juros altos e crise financeira

Segundo a companhia, a atual crise está relacionada aos investimentos realizados em tecnologia, logística e lojas digitais a partir de 2019, além dos impactos provocados pela pandemia, que afetaram as lojas físicas.

A empresa afirma que o cenário financeiro se agravou com a forte alta da Selic, que saiu de 2% ao ano no período em que o plano de digitalização começou e chegou a 15%.

A companhia também aponta o aumento do custo do crédito, a redução do poder de compra das famílias, o crescimento da inadimplência em carnês e cartões e a maior concorrência de plataformas digitais como fatores que contribuíram para o agravamento da situação.

O chamado Plano de Transformação, iniciado em 2023, incluiu corte de despesas, redução de estoques e fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias. Segundo a empresa, as medidas trouxeram apenas um alívio temporário.

Casas Bahia pede medidas urgentes

Na ação apresentada à Justiça, a empresa solicita uma série de medidas para evitar uma interrupção imediata das operações.

Uma das principais preocupações é o possível vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais.

A companhia afirma que, caso bancos retenham garantias relacionadas a pagamentos com cartões e Pix, até 60% da entrada mensal de caixa poderia ser comprometida imediatamente.

Entre os pedidos estão a suspensão de execuções por 180 dias, a proibição do vencimento antecipado de contratos comerciais e a manutenção do fluxo regular de recebíveis.

A empresa também solicita a entrega de mercadorias já compradas que estejam em trânsito e a liberação de mais de R$ 750 milhões em depósitos de recursos trabalhistas feitos em processos anteriores, para reforçar o caixa operacional.

Prejuízo chega a R$ 10,1 bilhões

A situação financeira se agravou ainda mais com o resultado divulgado neste domingo. A Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre, contra uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.

Com o resultado, o patrimônio líquido da companhia ficou negativo em R$ 8,1 bilhões.

A empresa também acumula agora oito trimestres consecutivos de prejuízo. Desde o último resultado positivo, registrado no segundo trimestre de 2024, a varejista vem apresentando perdas sucessivas.

O valor de mercado da Casas Bahia na Bolsa está em aproximadamente R$ 660 milhões.

A empresa não é mais controlada pela família Klein. Atualmente, a Mapa Capital é a acionista de referência, com 85,5% do capital da companhia, participação assumida em agosto do ano passado.

A recuperação judicial será agora analisada pela Justiça, que deverá avaliar os pedidos apresentados pela companhia e os próximos passos do processo.

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