
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimido do Wegovy, medicamento da farmacêutica Novo Nordisk à base de semaglutida. A autorização representa a chegada da primeira apresentação oral dessa classe de medicamentos liberada no país para o tratamento da obesidade e do sobrepeso.
Até então, quem utilizava a semaglutida para controle do peso dependia da aplicação semanal por meio de uma caneta injetável. A nova versão será administrada por via oral, em comprimidos de 25 mg, com uso diário.
A autorização foi publicada em resolução da Anvisa no Diário Oficial da União. O pedido de registro havia sido apresentado pela fabricante em 30 de janeiro de 2026.
O medicamento ainda não tem preço definido. Segundo a Novo Nordisk, a previsão é que o produto chegue às farmácias brasileiras no próximo trimestre.
A semaglutida imita a ação do GLP-1, hormônio produzido pelo intestino após as refeições. Essa substância atua no controle do apetite, enviando ao cérebro sinais de saciedade e reduzindo a fome. Também retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de estar satisfeito.
A versão oral utiliza o mesmo princípio ativo da caneta injetável, mas exige uma dosagem maior. Isso acontece porque, quando ingerida, parte da substância é destruída no estômago antes de chegar à corrente sanguínea.
Por esse motivo, o comprimido diário terá 25 mg de semaglutida, enquanto a dose semanal de manutenção da versão injetável é de 2,4 mg.
O Brasil já possui outro medicamento oral à base de semaglutida: o Rybelsus, também produzido pela Novo Nordisk. Entretanto, essa apresentação é indicada para o tratamento do diabetes tipo 2, e não para o tratamento da obesidade.
A aprovação do Wegovy em comprimido foi baseada, entre outros dados, em um estudo clínico publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.
Na pesquisa, os participantes que utilizaram a versão oral perderam, em média, 13,6% do peso corporal ao longo de 64 semanas. Já no grupo que recebeu placebo, a redução média foi de 2,2%.
Segundo os autores do estudo, o resultado se aproxima daquele observado com a versão injetável do medicamento.
Com a aprovação da Anvisa, a apresentação oral passa a integrar as opções de tratamento medicamentoso da obesidade no Brasil. A chegada às farmácias, entretanto, ainda depende da disponibilização comercial pela fabricante e da definição do preço.
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