
A tentativa de barrar as investigações sobre um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Araçaí colocou o vereador Evandro Marcos Moura Goulart, aliado político do prefeito Márcio Kalu, no centro de uma grave polêmica. Relator da Comissão Processante instaurada para investigar denúncias de possíveis superfaturamentos e irregularidades em compras públicas, o parlamentar apresentou parecer pelo arquivamento do processo, antes de esgotar todas as investigações, numa decisão que poderia livrar o prefeito do prosseguimento da investigação na Câmara Municipal.
O posicionamento de Evandro levanta suspeitas de uma possível manobra política para impedir que as denúncias sejam aprofundadas, tendo em vista que a denúncia apresenta fortes indícios de corrupção. Integrante da base do prefeito, o vereador defendeu o encerramento do procedimento justamente quando a comissão deveria dar continuidade à análise das acusações envolvendo o prefeito Kalu e alguns secretários.
A situação se torna ainda mais crítica diante de suspeitas de que o próprio relator estaria sendo ameaçado e intimidado por pessoas supostamente ligadas ao prefeito Kalu. As informações levantam questionamentos sobre possíveis pressões políticas nos bastidores da Câmara. Segundo informações, aliados de Kalu estariam tentando pressionar os vereadores a abafar o caso e encerrar o processo de investigação.
Apesar da tentativa de arquivamento, o parecer de Evandro encontrou resistência dentro da própria Comissão Processante. O presidente Gladiston Gonçalves e o vice-presidente Iander Dutra Dias votaram pela continuidade das investigações, no início de novembro, derrotando o posicionamento do relator por dois votos a um.
A decisão dos vereadores Gladiston e Iander determinou a continuidade das investigações dos supostos esquemas de corrupção envolvendo o prefeito Kalu.
A tentativa de "abafar" o processo coloca sob questionamento a atuação do relator e expõe a disputa política em torno de uma investigação que envolve suspeitas de corrupção sobre o uso de dinheiro público. No parecer do vereador e relator Evandro, seu posicionamento favoreceria o encerramento da apuração contra um prefeito de quem é aliado político.
O pedido de arquivamento do vereador Evandro, aliado de Kalu, gera a suspeita de um acordo político, tendo em vista que ele não tem conhecimento técnico para elaborar o relatório e, segundo denúncia, estaria sendo induzido por pessoas ligadas ao prefeito para tentar abafar o suposto esquema de corrupção.
A Comissão Processante foi instaurada na Câmara Municipal de Araçaí após denúncia apresentada pelo cidadão Lincoln Machado Gregório, por meio de reportagens veiculadas no site Mega Cidade, contra o prefeito Márcio Gonzaga Dias de Oliveira, conhecido como Márcio Kalu.
A denúncia aponta suspeitas de irregularidades e possíveis superfaturamentos em compras realizadas pela administração municipal, envolvendo produtos e equipamentos adquiridos com recursos públicos.
Entre os itens questionados estão macacos hidráulicos, dispositivos de proteção elétrica, faróis auxiliares automotivos e arames, cujos valores foram apontados na denúncia como indícios de superfaturamento, em comparação aos preços praticados no mercado.
Também foram levantados questionamentos sobre contratos para fornecimento de peças automotivas e a omissão da Prefeitura diante das solicitações de informações encaminhadas pelo Legislativo.
Diante das acusações, a Câmara instaurou a Comissão Processante para investigar os fatos e apurar eventuais responsabilidades. O prefeito apresentou defesa contestando o procedimento e alegando irregularidades em sua tramitação.
Em 27 de outubro, o relator Evandro Marcos Moura Goulart apresentou parecer favorável ao arquivamento, na tentativa de abafar o caso. Já os outros dois integrantes da comissão se posicionaram pela continuidade das investigações, impedindo o encerramento do processo naquela etapa.
O vereador Evandro foi questionado e derrotado pelos demais membros da comissão, e Kalu, juntamente com outros servidores, segue sob investigação por suspeitas de superfaturamento, improbidade administrativa, dano ao erário e corrupção, que podem levar à sua cassação na Câmara Municipal, caso sejam comprovadas.
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