
A Polícia Civil indiciou 11 pessoas por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - lesão corporal e intoxicação de produto alimentício na investigação sobre a contaminação de cervejas da Backer por mono e dietilenoglicol. Após mais de seis meses de investigação, a Polícia Civil de Minas Gerais apresenta, na manhã desta terça-feira (9), as conclusões do inquérito que investigou os casos da síndrome nefroneural.
Mais de 70 pessoas foram ouvidas durante a investigação. Conforme já havia sido divulgado, a possibilidade de sabotagem foi descartada pela Polícia Civil em meados de abril.
Os donos da cervejaria Backer foram indiciados por intoxicação de produto alimentício. Segundo a Polícia Civil, havia um grande vazamento em um tanque da Belorizontina, mas os donos da cervejaria não poderiam responder criminalmente por esse vazamento. "Não posso responsabilizá-los (proprietários) por algo que seja ligado a mecânica da produção. No entanto, na pós-produção eles atuam com ciência do problema. Essa falta de aviso gera consequência e essa falta do recall gera consequências", explicou o delegado Flávio Grossi.
O chefe da manutenção dos tanques foi indiciado por homicídio culposo, lesão e contaminação de produto alimentício. Segundo a Polícia Civil, ele se omitiu ou não agiu ao descontrolar a reposição de mono e dietilenoglicol. A investigação apontou que se houvesse controle de entrada da substância ou medida mínima, a contaminação não aconteceria porque seria constatado o vazamento.
Uma das testemunhas mentiu em depoimento também foi indiciada por falso testemunho e extorsão.
Relembre
Nos primeiros dias de 2020, algumas pessoas ficaram doentes após o consumo de cervejas da Backer, principalmente a Belorizontina, um de seus rótulos mais conhecidos. O que começou como um boato nas redes sociais, começou a ganhar destaque.
Após testes em amostras, laudo da PCMG no dia 9 de janeiro indicou a presença de dietilenoglicol no produto, uma substância tóxica anticongelante, de uso muito comum na indústria cervejeira. Sua ingestão pode provocar sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos, o que causara a síndrome nefroneural, doença até então desconhecida.
Ao todo, nove pacientes vieram a óbito, provavelmente por causa da doença e 42 pessoas são consideradas vítimas dessa intoxicação. A Justiça determinou que a empresa arcasse com todos os custos médicos das 33 vítimas vivas, o que ainda não aconteceu.

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