Faltando poucas horas para estar diante das urnas e escolher novos prefeitos e vereadores nos 853 municípios do Estado, muitos mineiros ainda estão indecisos.
Para Paulo Roberto Figueira, cientista político da UFJF, a pandemia e o desinteresse de parte do eleitorado potencializam a diminuição de votos válidos. “Muitos grupos de eleitores não obrigados a votar, como idosos e aqueles jovens de 16 a 18 anos, vão optar pela abstenção”.
A pulverização das candidaturas também é fator que leva à indecisão. Para Felipe Nunes, cientista político da UFMG, a limitação do tempo e dos recursos das campanhas deixou o eleitor em dificuldades. “A campanha é importante para dar os elementos necessários para tomar a decisão.
Campanhas fracas dão margem para que o voto seja motivado por informações falsas e que, na maioria das vezes, só beneficiam os grupos que já estão no poder”, enfatiza.
Para evitar que qualquer desinformação possa influenciar negativamente na escolha dos candidatos, o eleitor deve se proteger, questionando as informações que chegam – principalmente nos aplicativos de mensagens privadas como Messenger, WhatsApp e Telegram. “O eleitor tem que cultivar espírito cético e duvidar de tudo que chega até ele, principalmente na reta final”, destaca Paulo Figueira.
“Os veículos de comunicação são peças importantes para garantir informações. Estar abastecido de notícias precisas é uma das melhores formas de escolher o candidato”, reforça Felipe Nunes.
Para checar informações sobre candidatos, o eleitor pode acessar o DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lá estão dados sobre registro de candidaturas, planos de governo e até declarações de patrimônio dos candidatos.
Apatia do eleitorado e avaliação sobre ações adotadas na pandemia marcam pleito de 2020
Para os especialistas consultados pela reportagem, as eleições de 2020 foram caracterizadas por dois aspectos distintos: a pandemia do novo coronavírus e dificuldades dos candidatos para chamar a atenção dos eleitores. Segundo o cientista político Felipe Nunes, pontos centrais discutidos normalmente nos períodos eleitorais – como saúde, educação, transporte público – deram lugar a avaliações sobre como os políticos reagiram frente aos desafios da pandemia.
“A decisão do eleitor está muito mais baseada em como o prefeito reagiu durante a pandemia do que em relação a como ele vai governar a cidade nos próximos quatro anos”, alerta.
Voto útil?
E é baseado nessa percepção, de que as pessoas estão mais atentas a caminhos para sair da pandemia do que interessadas em avaliar propostas de candidatos para outros temas, que o surgimento de uma onda de eleitores do “voto útil” no domingo é pouco provável.
“O eleitor está fazendo a escolha na base da segurança. Ele esteve distante dos candidatos, não creio que faça sentido, diante de tal comportamento, qualquer inclinação para estender as eleições a um 2º turno em cidades onde os cenários apontam a definição no domingo”, afirma Paulo Figueira.

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