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Cuidados essências durante as remoções de corpos

03/04/2021 11h33 Atualizada há 1 semana
Por: Redação Fonte: Mega Cidade com José Eustáquio Pereira Barboza
Imagem ilustrativa
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Infelizmente ainda na atualidade em que vivemos, deparamos com alguns profissionais do segmento funerário inaptos em atuar com segurança e respeito para com os familiares em processo de luto e com os corpos dos falecidos que não mais habitam a vida.

Por esses e diversos outros motivos, a elaboração deste texto tem como principal objetivo direcionar melhor os profissionais do segmento funerário e áreas afins, orientando e educando os mesmos de forma correta e segura para lidarem com suas rotinas diárias.

O profissional do segmento funerário ao ser solicitado a prestar atendimento funerário, é imprescindível que tenham empatia com o cliente solicitante da prestação do serviço, ou seja, tentar se colocar na situação real em que a pessoa está vivendo (ter compaixão).

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Ao longo dos meus 16 anos de experiência lidando com pessoas enlutadas e com corpos pós mortes, constato que tendo compaixão, os clientes enlutados sentem se amparados no momento de abalo em que estão vivendo, e passam a depositar confiança na prestação dos serviços funerários, encontrando forças para lhe dar com as etapas do luto.

REMOÇÃO

Quando o agente funerário (motorista) for solicitado para realizar uma remoção, primeiramente é necessário saber o local de ocorrência do óbito.

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REMOÇÃO EM RESIDÊNCIA

Para a realização de uma remoção residencial é primordial que o agente funerário (motorista) tenha em posse uma maca própria para esta finalidade. O profissional deve se evitar ao máximo utilizar palavras inapropriadas para o momento, como por exemplo: Bom dia; boa tarde; boa noite, etc.… pois o momento é extremamente inadequado.

O profissional ao chegar na residência deve se solidarizar com as condolências, se identificar e solicitar licença para ir até o local onde o óbito tenha ocorrido, e nesse momento ele deverá começar a avaliar o trajeto e a melhor forma de realizar a remoção com zelo e segurança.

Caso o profissional não tenha em posse a cópia da declaração de óbito ou certidão do óbito, o mesmo obrigatoriamente deverá solicitar ao responsável pela contratação do serviço uma cópia.

Ao se deparar com o corpo jamais deverá removê-lo sem antes identificá-lo, pois é muito importante esse ato, os familiares não têm noção de como é a rotina diária dentro de uma funerária, e remover o corpo sem identificação pode gerar um enorme risco do 2 mesmo ser trocado ocasionando um transtorno a nível de saúde mental, e algumas vezes irreversível para com os familiares.

Logo após a identificação, cuidadosamente o corpo deverá ser acomodado em um lençol e transferido para maca e ser removido até o veículo funerário.

Dependendo de algumas situações onde a maca não puder ser utilizada, sugiro que o mesmo deva ser removido cuidadosamente em uma cadeira na posição sentada, e bem imobilizado evitando que o corpo venha se escorregar ou até mesmo cair. Deve-se sempre ficar atento se o corpo está despido (nu) e solicitar aos familiares uma roupa para que a remoção até o veículo seja realizada.

Toda e qualquer remoção deve ser feita sempre em decúbito dorsal (com a face voltada para cima), pois realizando a remoção desta maneira, evita-se a concentração de sangue com gás carbônico na região da face, e que provavelmente comprometerá o processo de drenagem do sangue durante a realização da técnica de tanatopraxia.

Remover o corpo do falecido em decúbito dorsal, trará mais segurança evitando ferimentos e hematomas principalmente na região da face e das mãos.

REMOÇÃO NO AMBIENTE HOSPITALAR E/OU OUTROS LOCAIS DE SERVÍÇO DE SAÚDE

 Primeiramente o agente funerário (motorista) deve ter em posse uma cópia da declaração de óbito ou da certidão de óbito, pois será através deste documento que ele irá verificar se o corpo do falecido a ser removido procede com os dados do documento.

Quando ocorre um óbito dentro do ambiente hospitalar, geralmente a rotina é a mesma de uma instituição para a outra, ou seja, o corpo é identificado na região do tórax e encaminhado para o necrotério dentro de um saco de óbito ou enrolado em um lençol, sendo exclusivamente de responsabilidade da instituição identificar o corpo corretamente, caso o corpo não esteja identificado, em hipótese alguma o mesmo deverá ser removido até que um profissional da instituição o identifique.

A responsabilidade da remoção do corpo é do agente funerário (motorista), por isso é imprescindível a conferência da identificação, mesmo que tenha apenas um corpo no necrotério.

Durante essa conferência de Identificação é muito importante também conferir se o corpo apresenta alguma ferida principalmente na região da face e das mãos, conferir e relatar também se possui alguns bens materiais como adornos etc.…caso o agente funerário (motorista) não tenha em posse um livro de ata especifico para essas finalidades, aconselha-se registrar atrás da cópia da declaração de óbito ou cópia da certidão de óbito.

Infelizmente boa parte dos profissionais de instituições hospitalares são pouco preparados ou nunca tiveram orientação para prestar os primeiros cuidados com os pacientes pós óbitos, por muitas vezes amarram a face do paciente com máxima força provocando traumas na pele do falecido, e principalmente se este falecido estiver com as mãos edemaciadas (inchadas) dependo da situação as mãos terão que ser totalmente enfaixadas e/ou acomodadas por baixo da ornamentação antes de ser entregue aos familiares para realizarem a despedida final, ocasionando uma certa frustação e tristeza para com os familiares.

Diante destas circunstâncias, aconselho ao agente funerário (motorista) que retirem ou afrouxem essas amarrações, que geralmente são realizadas com ataduras (faixas) e/ou esparadrapo, tendo em vista que as mesmas irão ser retiradas no laboratório de Tanatopraxia.

SEGURANÇA SANITÁRIA E DO TRABALHO

Sempre que o profissional for ter contato direto com o corpo pós mortes, é obrigatório e necessário a utilização dos EPI´s (equipamentos de proteção individual) como luvas de procedimentos descartáveis, óculos, calçados fechados e uma vestimenta predestinada para essas finalidades, como por exemplo um jaleco de manga comprida e/ou aventais impermeabilizáveis, etc...

LEGISLAÇÃO

De acordo com o código Penal Brasileiro: Art. 212 existe um crime que é o Vilipêndio de Cadáver, ou seja, o vilipêndio de cadáveres é considerado crime contra o respeito aos mortos.

O Vilipêndio é o ato de fazer com que alguém se sinta humilhado, menosprezado ou ofendido, através de palavras, gestos ou ações, sujeito a Pena – detenção de um a três anos e multa.

Por esse e outros motivos, os profissionais do segmento funerário devem ser altamente treinados, capacitados e habilitados para lhe dar com as rotinas diárias.

CUIDADOS COM OS FALECIDOS NO AMBIENTE FUNERÁRIO

Quando os falecidos dão entrada no laboratório da funerária, os profissionais do laboratório serão responsáveis pelos cuidados prestados ao mesmo. Deve-se obrigatoriamente conferir a identificação do falecido, assim como inspecionar e relatar (evidenciar) as observações que o corpo apresenta, por exemplo: presença de feridas, hematomas, cirurgias, amputações, punções, etc...

Após a realização do procedimento de Tanatopraxia, o corpo deverá ser higienizado com água e sabão e acomodado na urna que será inumado (sepultado) ou cremado, em seguida realizar os curativos se necessário.

Por medida de segurança e prevenção é importante a inserção de um plástico na região do tórax e abdômen, para impermeabilizar caso haja saída de algum líquido, evitando que a roupa do falecido (a) venha se umedecer.

Após todos esses procedimentos deve-se vestir o corpo evitando ao máximo cortar as vestes, em seguida centralizar o corpo na urna e ataviar (embelezar).

Por fim o corpo deve ser encaminhado para o fiscal conferir, avaliar e liberar. Sempre que a urna for tampada, é necessário a retirada do visor para conferir se o nariz não está sofrendo uma compressão.

Caso a tampa da urna não tiver visor, aconselho a colocar um pouco de crene no ápice (ponta) do nariz e tampar a urna, e logo em seguida retirar a tampa novamente, e caso o interior da tampa não tenha borrado irá trazer uma segurança maior quando o mesmo chegar ao velório.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante alguns erros recorrentes em que profissionais do segmento funerário estão procedendo, esse texto foi elaborado para direciona-los melhor, evitando a ocorrência de incidentes e insatisfação com os clientes enlutados.

É importante ressaltar que as orientações referentes a manuseios e avalições dos corpos pós mortes descritas neste texto, não se aplicam em casos suspeitos e/ou confirmados pela COVID-19.

Por José Eustáquio Pereira Barboza - Subcoordenador do Núcleo de Tanatopraxia da Universidade Federal de Minas Gerais 

Faculdade de Medicina - UFMG 

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