O desemprego começa a recuar um pouco graças ao início da retomada econômica, após a crise causada pela pandemia da Covid-19. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo IBGE, ontem, mostram que a taxa de desocupação no país caiu 0,6% no 2° trimestre de 2021, chegando a 14,1%.
Embora os indicadores demonstrem que mais pessoas estão trabalhando, apontam uma preocupante tendência: 7 a cada 10 brasileiros que entraram ou voltaram à ativa, nos últimos 12 meses, estão trabalhando “por conta própria”. Em Minas, os números se equiparam: 67,47% dos que se somaram ao contingente de ocupados no período, o fizeram em tal regime.
Ocupação
A PNAD mostra ainda que, no 2º trimestre de 2021, houve avanço significativo no total de pessoas ocupadas no país em relação ao 1º trimestre – foram 2,1 milhões a mais. Na comparação com o mesmo período de 2020, o salto foi dede 4,4 milhões.
Tendência é de que ocupação “independente” permaneça crescendo ao longo do 2º semestre, ampliando a entrada de trabalhadores na informalidade, no país e em MInas Gerais
Por conta própria
Entre os “novos” ocupados, chama a atenção o número total dos que trabalham por conta própria: no Brasil, são 24,8 milhões de pessoas no 2º trimestre – 28,3% de toda a população ocupada.
Em Minas, o fenômeno se repete. Segundo a PNAD, nos últimos 12 meses, 452 mil pessoas tornaram-se ocupadas no Estado, totalizando 9.456.000 trabalhadores ativos. Desses, 2.441.000 trabalham por conta própria – 305 mil a mais do que o registrado há um ano, quando 2.136.000 mineiros estavam em tal situação.
Já em relação ao 1º trimestre deste ano, houve aumento de 2,3% da população ocupada, que foi acrescida de 215 mil pessoas. Dessa massa, 138 mil declararam que estão buscando sustento por meio de atividades independentes.
De acordo com Adriana Beringuy, analista da PNAD Contínua do IBGE, o aumento da ocupação ainda não pode ser visto como uma retomada de empregos formais, já que, no momento, o movimento de recontratação com carteira assinada é lento. “Ainda existe uma grande diferença entre o número de pessoas que tinham emprego formal, antes da pandemia, e as que têm essa situação agora”, explica a analista do IBGE.
E a tendência ao trabalho por conta própria deve permanecer ao longo do 2º semestre deste ano, segundo especialistas. Para o economista do Ibmec, Felipe Leroy, por exemplo, a lenta retomada econômica e o tímido aumento na oferta de emprego vão empurrar um número cada vez maior de brasileiros para a informalidade. “As pessoas precisam pagars contas, ter o que comer e, sem vagas, vão buscar meios alternativos de sobrevivência. Não há mudança prevista no panorama para os próximos meses, infelizmente”, lamenta.

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