Ainda em busca de uma solução para instalar sua fábrica em Minas Gerais, a Heineken se reúne nesta quinta (10/2) com a Prefeitura de Ouro Preto para ouvir a proposta da cidade para atrair o investimento de R$ 1,8 bilhão da empresa. Um executivo da cervejaria estará na cidade para se encontrar com representantes do Executivo municipal durante a tarde numa tentativa de avançar nas tratativas.
Enquanto isso, fontes informaram à reportagem que a companhia holandesa voltou a se aproximar da Prefeitura de Pedro Leopoldo, na Grande BH, onde a instalação do complexo de produção já estava anunciada, mas caiu após as autoridades investigarem possível impacto ambiental no sítio arqueológico localizado no município.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Ouro Preto, Felipe Vecchia, a Heineken não abre mão de três fatores para instalar sua fábrica em Minas Gerais. O terreno precisa ter ao menos 50 hectares, ser plano e ter água corrente para a produção da cerveja. Além disso, o imóvel precisa ser, de preferência, pertencente à iniciativa privada. A ideia da empresa, portanto, é evitar parcerias público-privadas (PPP’s).
“A exigência maior é a água de qualidade. Ela não precisa ser mineral. Pode ser rio, ribeirão ou afluente, de preferência passando por dentro do terreno. Eles têm a preferência pela compra do terreno privado”, afirma Felipe Vecchia. Segundo ele, Ouro Preto levantou dois imóveis para ceder à Heineken para a instalação da empresa: um no distrito de Cachoeiro do Campo, onde há um polo industrial; e outro no distrito de Miguel Burnier, próximo a Itabirito, onde já há produção da Coca-Cola.
Mas, diante da preferência da cervejaria por uma propriedade particular, Ouro Preto estuda novas áreas. “Fizemos um amplo levantamento de terras que têm a demanda necessária de tamanho, são planas e pertencem à iniciativa privada. Vamos fazer uma apresentação com um plano de marketing com o turismo da cidade. Também vamos ressaltar que somos uma cidade estudantil, com mais de 500 eventos por ano”, diz Felipe Vecchia.
Também nesta semana, representantes da Prefeitura de Rio Novo, na Zona da Mata, se reuniram com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, para tentar atrair o investimento para a pequena cidade de aproximadamente 9 mil habitantes. Fontes ligadas ao Executivo municipal informaram que a cervejaria já pré-selecionou três cidades para instalar sua fábrica, mas os nomes são mantidos em sigilo.
Além de Ouro Preto e Rio Novo, dezenas de cidades se colocaram à disposição para receber os investimentos da empresa europeia, desde prefeituras menores, como Entre Rio de Minas e Buenópolis, até maiores, como Mariana e Pirapora. A oferta de água, facilidade de logística e a proximidade com polos industriais são as principais apostas de Minas Gerais para seduzir a Heineken.
Outra cidade ainda no páreo é Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A cidade foi a primeira escolhida pela Heineken para instalar sua cervejaria no estado. A empresa chegou a investir grande quantidade de dinheiro no município, mas recuou após denúncias de impactos ambientais do complexo em um sítio arqueológico.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) chegou a abrir um inquérito para investigar o fato. O Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) também argumentou que a instalação da cervejaria no terreno pretendido poderia gerar um grande impacto ambiental.
Mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem, a cervejaria voltou a se aproximar da prefeitura local. A reportagem procurou o Executivo municipal, mas não houve posicionamento até o fechamento desta edição. A Heineken informou que “está estudando outras áreas e, tão logo seja definido, anunciará o novo local em que será instalada sua cervejaria”.

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