Que o queijo e o café são queridinhos dos mineiros muita gente sabe. Mas, nas últimas semanas, manter a tradição do cafezinho com queijo ficou mais salgado. E moradores de diferentes regiões de Minas têm levado um verdadeiro susto ao procurar pelos alimentos no mercado. Mas, o que ocorreu? O BHAZ foi atrás de respostas para entender o que levou uma das duplas favoritas dos mineiros a encarecer tanto.
No caso do café, a crescente de preços ocorre desde o ano passado. De acordo com a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), o preço médio do café torrado e moído no varejo subiu 23% de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022. O aumento ocorreu principalmente por causa de fatores climáticos, explica Gastão Goulart, engenheiro agrônomo da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas).
“Em relação ao café o que ocorreu foi uma seca muito forte no ano de 2020 que prejudicou as lavouras. No ano de 2021 ocorreu uma geada forte que atingiu as principais regiões produtoras do Sul de minas. Isso tudo reduziu a produção. E a queda na produção deu como consequência o aumento no preço”, explica.
A baixa na produção das lavouras e o aumento dos preços de custo preocupam, principalmente, os pequenos produtores do estado. Fernanda Maricota, produtora da Fazenda Maricota, localizada em Ubaporanga, no Sul de Minas, explica tanto chuvas intensas quanto a seca prejudicaram bastante a produtividade. Em 2019 e 2020 foram as chuvas. Já em 2021, a seca.
“Neste ano de 2022 teremos a primeira colheita de 100% da lavoura. Estamos vendo um potencial maior, embora muitos vizinhos aqui da região tenham sofrido com o abortamento das flores, devido à chuva. Quando a florada saiu em outubro, choveu demais novembro e dezembro, o que atrapalhou que as frutas vingassem, não foi o caso da fazenda”, conta Fernanda.
Fernanda relata também que os preços dos insumos ficaram mais caros nos últimos tempos, mas ela vê melhoras para o futuro. “A previsão é esse ano ainda não ter uma safra tão grande, que vá suprir todas as necessidades do mercado, mas será uma safra boa. Imagino que o preço do café deve manter o patamar que está devido aos preços dos insumos e ano que vem será melhor”, diz ela.
Já para Vicente Leite, proprietário do Ideal laticínios, localizada em Dom Cavati, na região do Rio Doce, a alta dos insumos prejudica tanto quem produz leite, quanto quem produz seus derivados. Ele relata ter notado queda nas vendas. “Em 2021, já teve uma quedinha, esse ano piorou um pouco mais, em torno de 25% de queda. A produção de leite está caindo também na nossa região”, diz o empresário.
Apesar das perdas, Vicente também é otimista para o futuro. “Eu sou otimista. A previsão é que isso melhore daqui a um ano, um ano e meio. Calculo de 12 a 18 meses estaremos melhor. Creio que seja o efeito da pandemia que desestabilizou o mercado”, diz.
Já o queijo sofre consequências da alta do preço de seus insumos. O leite longa vida, por exemplo, ficou quase 15% mais caro nos últimos 12 meses, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de março. “O queijo sofreu um aumento de custo de produção. O queijo é feito com o leite que teve aumento de custo de produção, assim como o óleo diesel. O fertilizante também aumentou o preço”, explica Gastão. “Esses custos quem arca primeiro é o produtor”, diz.
Para o engenheiro agrícola, uma das saídas para o aumento dos preços é a busca por inovação por parte dos produtores. “O produtor está sempre tentando buscar mais eficiência na produção, mais eficiência na aplicação do adubo, mais eficiência na utilização dos recursos na propriedade, isso exige mais técnica na produção. No caso do café e do leite mais produtividade por área e menor custo”, conta.
Nas redes sociais, o queijo e o café mais salgados viraram alvos de comentários. “Tirar isso do mineiro é o mesmo que tirar o macarrão do italiano ou o peixe do japonês”, escreveu um internauta. “Eu deixo de comer arroz e feijão mas não largo meu cafezin com quejin”, brincou outra usuária do Twitter.

SETE LAGOAS Empresários de Sete Lagoas vão aos EUA para tentar barrar nova tarifa sobre o ferro-gusa brasileiro
BRASIL Desenrola MEI: governo anuncia programa de renegociação de dívidas com descontos de até 70%
SETE LAGOAS Nova tarifa dos EUA ameaça exportações de ferro-gusa e preocupa setor em Sete Lagoas
SETE LAGOAS Bloqueio de R$ 4,3 bilhões na Defesa coloca mais de 200 empregos da IDV em risco em Sete Lagoas
CONSUMIDOR Procon orienta consumidores sobre taxas, reservas e direitos em restaurantes no Dia dos Namorados
SETE LAGOAS Sete Lagoas entra em alerta após possível tarifa dos EUA ameaçar setor do ferro-gusa
RESSARCIMENTO Itaú terá que devolver valores cobrados indevidamente por seguros, decide acordo com MPMG
SETE LAGOAS Dia Livre de Impostos: confira onde aproveitar descontos em Sete Lagoas
IMPORSTO DE RENDA Receita Federal confirma: consulta ao primeiro lote de restituição do IR 2026 começa nesta sexta-feira (22/05) Mín. 13° Máx. 27°

