
“O cenário é muito ruim. Vivenciamos uma redução nacional da vacinação de crianças, e isso é um problema para a imunidade coletiva”. O alerta é da professora Fernanda Penido, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A baixa procura pelas vacinas ameaça a segurança sanitária de toda a população ao aumentar a chance de doenças consideradas erradicadas voltarem, segundo a pesquisadora, que coordena o projeto “Estratégias para o aumento da cobertura vacinal em crianças menores de 2 anos no Estado de Minas Gerais: uma pesquisa-ação”.
Superintendente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), Elice Ribeiro concorda: “O Programa Nacional de Imunizações foi muito eficiente por décadas, tanto que já não tínhamos pólio, sarampo e outras doenças evitáveis com vacina. Mas, por não ter contato com esses problemas, muitos acham que eles sequer existem e, erroneamente, não confiam nas vacinas”.
Para o subsecretário de Promoção e Vigilância à Saúde de BH, Fabiano Pimenta, a baixa adesão às vacinas para a população infantil é desanimadora. Ele exemplifica o que houve com a campanha de vacinação contra a gripe, iniciada em 4 de abril e prorrogada: apenas 36,6% das crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias haviam sido imunizadas em BH até 21 de junho – o prazo final seria 24 de junho. A meta do Ministério da Saúde é 95%.
Ele destacou que BH procura disponibilizar alternativas para alcançar a cobertura vacinal, como busca ativa e vacinação em escolas e shoppings. “Apesar de todos os esforços, essa cobertura não é atingida. Chega a ser frustrante”, lamenta. (Com Malú Damázio)
Divulgação de fake news agrava a situação
Um dos principais desafios apontados por especialistas em saúde pública para aumentar os índices de vacinação é driblar a disseminação de notícias falsas. “A causa para a baixa cobertura vacinal é multifatorial, mas a disseminação de informações sem qualquer comprovação científica agrava a situação”, afirma o subsecretário de Promoção e Vigilância à Saúde de BH, Fabiano Pimenta.
“É uma questão de natureza histórica, sociocultural e ambiental. Temos, hoje, muitas fake news sobre as vacinas, indicando que elas não seriam boas”, ressalta Elice Ribeiro, superintendente de vigilância epidemiológica da SES-MG.
Para barrar as notícias falsas, ela defende a divulgação sobre o fato de as vacinas serem feitas com muita tecnologia e segurança. A pesquisadora Fernanda Penido concorda e faz um pedido: “Meu apelo, enquanto mãe e pesquisadora, é que os pais busquem informações baseadas em evidências científicas. Procurem ajuda de profissionais da área, capacitados para orientar sobre a atualização da caderneta de vacinação”.

IMUNIZAÇÃO Vacinação contra chikungunya é adiada e deve começar só em junho em Sete Lagoas
SETE LAGOAS Saúde abre processo seletivo para médicos especialistas em Sete Lagoas
IMUNIZAÇÃO Sete Lagoas aguarda vacinas para iniciar campanha contra chikungunya Mín. 17° Máx. 28°


