
O preço do diesel ultrapassou o da gasolina em postos de Minas Gerais pela primeira vez, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), desde que a série histórica começou em 2004. A Petrobras reajustou o preço do diesel em 14,26% na última semana, alta superior ao reajuste de 5,18% da gasolina.
Pela pesquisa de preços mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com números até o dia 18 de junho, antes do reajuste, a média do diesel S10 em Minas era R$ 6,973, enquanto a gasolina custava R$ 7,460. Com o reajuste de R$ 0,70 do diesel nas distribuidoras, postos e motoristas atestam que a gasolina foi ultrapassada.
“É a primeira vez que o diesel fica mais caro que a gasolina, nunca houve isso. Não são só os caminhoneiros que são afetados”, pontua o assessor institucional da Confederação Nacional de Transportadores Autônomos (CNTA) e presidente da Federação dos Transportes Autônomos de Cargas de Minas Gerais (Fetramig), Wagner Jones. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) alertou, nesta semana, para um "aumento generalizado" do preço das passagens de ônibus para mitigar o efeito da alta do diesel.
Presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG), Irani Gomes também reforça o ineditismo do cenário atual. “Isso é histórico no Brasil, é um absurdo o que está acontecendo agora. Tem gente parando porque não consegue trabalhar”, diz.
O site de pesquisa de preço Mercado Mineiro ainda está consolidando um levantamento sobre os atuais valores em postos de Belo Horizonte e região e já flagrou locais nessa área com o diesel mais caro do que a gasolina. Em um posto na avenida do Contorno, no bairro Barro Preto, região Centro-Sul de BH, a gasolina era vendida por R$ 7,37 e o diesel S10, por R$ 7,49 já no dia 18 de junho, o primeiro do aumento da Petrobras.
Há expectativa de que o preço da gasolina baixe com o novo teto do ICMS, sancionado nessa quinta-feira (23) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Em Minas Gerais, a Valêncio Consultoria calcula que o combustível pode baixar R$ 1,47, mesmo após o aumento mais recente. Na prática, o preço não chegou à bomba, de acordo com o Minaspetro. Já o diesel não deve sofrer alteração significativa, já que o ICMS mineiro já é menor que o teto.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) afirma que o preço do diesel passou o da gasolina, algo inédito também no Estado paulista.
Em nota, a Ipiranga informou que "está comprometida com a sociedade para que seja alcançada a redução do preço dos combustíveis ao consumidor final. No entanto, a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18, que foi convertida na Lei Complementar 194/22, relativa ao ICMS, ainda não foi implementada, pois depende da regulamentação dos estados, que ainda não foi publicada". Por isso, a bandeira "seguirá a legislação vigente".

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