
Um bebê de Belo Horizonte finalmente será registrado com o nome Piiê, nesta quinta-feira (12 de setembro de 2024), após meses de embate judicial.
A escolha do nome, feita pelos pais Danillo Prímola e sua esposa, é uma homenagem a um faraó egípcio negro e reflete o desejo do casal de resgatar a ancestralidade africana.
Inicialmente, tanto o cartório quanto a Justiça haviam negado o pedido, alegando que o nome poderia causar constrangimentos futuros à criança.
A luta pelo direito ao nome
Danillo Prímola ressaltou que o nome Piiê é mais do que uma simples escolha estética; trata-se de um compromisso familiar com a valorização de suas raízes africanas. "Essa permissão é uma oportunidade que meu filho terá para crescer conectado com suas raízes. É um direito nosso. Todo direito vem acompanhado de um compromisso, que nós, pais, assumimos. Nesse caso, é dar uma educação que valorize sua ancestralidade", afirmou.
A decisão favorável ao registro só foi possível após o apoio do Ministério Público, que interveio a favor da família. Um representante da instituição estará presente no momento do registro oficial, consolidando o direito dos pais em dar ao filho o nome que acreditam melhor refletir sua herança cultural.
A inspiração no Carnaval de Belo Horizonte
A escolha do nome Piiê foi inspirada durante o Carnaval de 2023 em Belo Horizonte. Na ocasião, Danillo e sua família participaram de uma comissão de frente intitulada "Piiê, O Faraó Negro", que foi premiada como a melhor daquele ano. A partir daí, o casal decidiu que, se tivessem um filho homem, ele se chamaria Piiê, como forma de homenagear o líder africano e conectar a criança às suas raízes.
Implicações legais e a recusa inicial
O cartório, inicialmente, levantou objeções quanto à grafia do nome, especialmente devido ao uso dos dois "ii". Embora Danillo tenha explicado que a escolha tinha um significado profundo relacionado ao resgate cultural e antirracista, a Justiça manteve a recusa, apontando o risco de futuros constrangimentos para a criança.
Em resposta à repercussão do caso, a Vara de Feitos Públicos de Belo Horizonte se pronunciou, explicando que a juíza Maria Luíza Rangel, responsável pela decisão inicial de recusa, fundamentou sua decisão com base na lei que impede o registro de nomes que possam "expor ao ridículo seus portadores". A juíza ainda sugeriu que o casal optasse por um nome composto, preservando a homenagem de maneira menos controversa.
Justificativas para a recusa judicial
A Justiça também esclareceu que a argumentação dos pais, no momento da solicitação inicial, se baseou "tão somente na homenagem a um faraó, sem mencionar a relação do personagem com aspectos culturais e históricos". Por isso, a sonoridade e grafia do nome foram os principais fatores para o indeferimento.
Com a vitória na Justiça, a família de Belo Horizonte assegura que o filho poderá carregar um nome que, para eles, representa não apenas uma figura histórica, mas um símbolo de resistência e orgulho das raízes africanas.

Urgente Criança é arrastada por tromba d’água no rio cipó, em santana de pirapama
Socorro Bombeiros resgatam cachorro preso em vala, em Sete Lagoas
Aniversário Papagaios comemora 72 anos com programação especial de cultura, esporte e fé Mín. 18° Máx. 23°

