
A Polícia Civil e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) detalharam, na manhã desta quarta-feira (10), a atuação de uma organização criminosa suspeita de invadir sistemas do Judiciário e realizar fraudes em processos judiciais. Deflagrada com o nome de Operação Veredicto Sombrio, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em Sete Lagoas e em outras duas cidades do estado.
Segundo informações divulgadas em coletiva de imprensa realizada em Belo Horizonte, o grupo agia em pelo menos três frentes principais: alteração de dados bancários, manipulação de registros de veículos e interferência em mandados de prisão expedidos pela Justiça. Entre as práticas, estavam tentativas de desbloqueio indevido de valores, liberação irregular de veículos e alteração de ordens de prisão no Banco Nacional de Mandados de Prisão.
De acordo com o juiz auxiliar da Presidência do TJMG, Marcelo Fioravanti, as fraudes envolviam sistemas nacionais operados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e utilizados por tribunais de todo o país. “Havia tentativa de levantamento de valores bloqueados judicialmente, liberação irregular de veículos no sistema nacional e adulteração de mandados de prisão”, explicou.
As investigações apontam que os criminosos utilizaram credenciais de acesso de integrantes do Poder Judiciário, incluindo magistrados, para executar as fraudes. A ação foi identificada pelo Serviço de Inteligência do TJMG, que iniciou o rastreamento dos envolvidos. Conforme as autoridades, os sistemas não sofreram danos e não houve prejuízo aos cofres públicos. Segundo Fioravanti, o monitoramento constante permitiu a identificação dos responsáveis. “Qualquer tentativa de invasão encontra barreiras, monitoramento e resposta imediata”, afirmou.
A organização criminosa era liderada por um homem de 32 anos, que morava em um condomínio em Belo Horizonte. No local, a polícia apreendeu três veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor. Outras duas pessoas foram presas em Jacutinga, no Sul de Minas. Ao todo, foram bloqueados aproximadamente R$ 40 milhões e cerca de 180 mil dólares em criptomoedas.
As investigações continuam para identificar os beneficiários diretos das fraudes. Segundo a Polícia Civil e representantes do TJMG, os suspeitos, com idades entre 20 e 30 anos, atuavam em diferentes modalidades, incluindo a aplicação de golpes utilizando falsa identidade de advogados.
A juíza auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça, Andreia Miranda Costa, afirmou que os envolvidos têm perfil técnico elevado na área de informática e não apresentam características de violência. “Eles conseguiam lançar falsamente o cumprimento de mandados de prisão, mas os registros foram identificados e corrigidos”, declarou.
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