
Sete Lagoas segue reafirmando sua força no cenário cultural mineiro por meio de manifestações que valorizam a tradição, a identidade e a diversidade. Desta vez, o coletivo de tambores Bantu Katu Ateliê Cultural, em parceria com o Ponto de Cultura Quintal Boi da Manta, prepara a iniciativa popular Boi Batukado (Boi da Manta) para integrar a programação do pré-carnaval da cidade.
O pré carnaval é uma produção da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas, por meio do incentivo às expressões culturais populares e ao fortalecimento da cultura local. Ao som das caixas de corda, com maracatus e referências ao congado, o Boi Batukado promete contagiar o público com muita animação, ressaltando as raízes afro-mineiras que sustentam a tradicional manifestação do Boi da Manta em Sete Lagoas.
Para o mestre Bruno Batista, do Bantu Katu, a iniciativa representa uma importante oportunidade de fortalecer a cultura local e apresentar os ritmos da cidade a um público cada vez mais amplo. Já o artista Paulinho do Boi, mestre de cultura popular e gestor do Quintal Boi da Manta, destaca a relevância de manter viva a brincadeira do Boi da Manta como uma expressão genuína da cultura de Sete Lagoas e região, transmitida de geração em geração.
O Boi Batukado se apresenta no dia 01 de fevereiro (domingo), às 14h, em frente ao Ponto de Cultura Ovorini Carpintaria Cênica, localizado na Rua Santa Bárbara, 320 – Bairro Santa Luzia, Sete Lagoas/MG. A apresentação é gratuita, e o público está convidado a vestir suas fantasias e brincar junto com o cordão do Boi Batukado.
Mais informações:
Instagram: @batukatu | @quintalboidamanta
Viva a cultura de Sete Lagoas!
Ê boi, ê boi,
Ê boi vem batucar
Boi da Manta é tradição
É cultura popular…
Sobre o Boi da Manta
A manifestação cultural do Boi da Manta
O Boi da Manta é uma manifestação folclórica, folguedo, que se apresenta em Sete Lagoas, MG durante o carnaval de rua e em ocasiões de festejos atemporais. Consta, através da oralidade, registros da manifestação do Boi da Manta no início do século XX durante as festividades de pentecostes no bairro Várzea (Gamela) em Sete Lagoas. Segundo o historiador e maestro Gilson Matos, a festa acontecia no campo do Escorrega (atual praça do Escorrega) e era conduzida por um casal com nomes de Zé Puri e dona Chica. Após proibição, da festa de pentecostes, pelo pároco da cidade, Monsenhor Messias, devido as confusões, brigas e bebedeiras, o Boi da Manta não brincou mais. Nos anos 1970 até meados dos anos 1980 o Boi da Manta ressurgiu sendo conduzido e zelado pela família de Geraldo Pingo (in memória), no bairro São Geraldo, bairro vizinho da praça do Escorrega, durante os desfiles de carnaval. Nos anos 1990 o então prefeito de Sete Lagoas, Sérgio Emílio, interrompeu o apoio da administração municipal para as organizações carnavalescas de Sete Lagoas direcionando o investimento em trios elétricos amparados por empresários de produtoras de eventos. Novamente o boi desapareceu do cenário cultural do município. Nos anos 2000 o artista setelagoano Paulo Henrique pegou um Boi da Manta emprestado, com a mestra de cultura popular dona Elza (in memoriam) no distrito de Pindaíbas em Jequitibá. Após brincar com o boi da manta no pátio da catedral de Santo Antônio, durante a tradicional barraquinha no mês de junho, tornou-se Paulinho do Boi. Logo a brincadeira foi abraçada pelo ritmista Dionei Teixeira da fanfarra do colégio Maurilo de Jesus Peixoto (Fanfarra do Estadual) tornando-se um bloco carnavalesco com intuito de resgatar o carnaval de rua de Sete Lagoas, mantido dentro do Quintal Boi da Manta (quintal da casa de Paulinho do Boi, hoje ponto de cultura). Todo trabalho foi voltado às matinês carnavalescas que aconteciam na rua para as crianças. Paulinho do Boi deixou a organização do Bloco em 2015, porém, manteve viva a manifestação do Boi da Manta através de uma peça do grupo Carroça Teatral. Desde de 2024 o coletivo de tambores afros Bantu Katu vem puxando o cordão Boi da Manta junto com o ponto de cultura Quintal Boi da Manta com a apresentação do Boi Batucado. A primeira apresentação foi no 1° Encontro Regional de Bois da Manta da microrregião do médio Rio das Velhas.
Sobre o Boi Bantu Katu
O Bantu Katu Ateliê Cultural, sediado em Sete Lagoas (MG), possui 23 anos de atuação dedicados à valorização e ao fortalecimento da cultura afro-brasileira. O grupo surgiu a partir de encontros culturais, vivências e oficinas, tendo como principal propósito a difusão, a preservação e a continuidade das expressões da cultura popular.
Seu trabalho contempla a diversidade de manifestações culturais, como o congado, o maracatu e outras vertentes tradicionais, reafirmando a importância da ancestralidade e da identidade cultural. O Bantu Katu se consolida como um espaço permanente de troca, formação e criação artística, atuando tanto como grupo cultural quanto como ateliê.
Com os tambores como uma de suas principais formas de expressão, o coletivo desenvolve ações por meio da música, da arte e da cultura, participando de apresentações, eventos e atividades formativas que promovem a cultura afro-brasileira. Fundado por Bruno Batista, o projeto foi se estruturando ao longo do tempo, passando por um processo contínuo de amadurecimento, organização e ampliação de suas ações.
Originado nas oficinas culturais, o Bantu Katu consolidou-se como um importante agente cultural de Sete Lagoas, tornando-se referência como espaço de vivências, intercâmbio e difusão da cultura popular afro-brasileira.
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