
Em um movimento estratégico no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a defesa do Palmeiras apresentou um documento crucial para tentar se isentar de responsabilidade civil no caso da emboscada fatal ocorrida em outubro de 2024. O clube anexou aos autos um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pela torcida organizada Mancha Alviverde junto ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), no qual a agremiação admite, de forma explícita, a autoria e a organização do ataque.
O objetivo do Palmeiras é evitar as pesadas indenizações pleitadas pelos familiares de José Victor dos Santos Miranda, torcedor do Cruzeiro e morador de Sete Lagoas, que faleceu no episódio. O clube argumenta que não possui vínculos com a organizada, reforçando que a presidente Leila Pereira mantém, inclusive, medidas protetivas contra líderes da torcida.
No TAC, publicado pela Itatiaia, a Mancha Alviverde declara que os atos violentos foram “planejados, organizados e executados por membros da agremiação”. Como forma de reparação pelos danos causados em Mairiporã, a organizada estabeleceu um cronograma de pagamentos que totaliza R$ 2 milhões:
§ R$ 1 milhão: destinado aos herdeiros necessários de José Victor Miranda (vítima).
§ R$ 250 mil: ao Fundo Municipal de Segurança Pública de Mairiporã.
§ R$ 200 mil: à empresa proprietária dos ônibus depredados e incendiados.
§ Saldo remanescente: destinado ao tratamento e à indenização das vítimas sobreviventes que sofreram lesões corporais.
Além dos valores financeiros, a torcida se comprometeu a entregar semestralmente à Federação Paulista de Futebol (FPF) e ao MP uma lista atualizada de todos os seus associados, contendo nome completo, CPF, telefone e registro fotográfico, visando facilitar a identificação de infratores em eventos futuros.
O ataque ocorreu na madrugada de 27 de outubro de 2024. Dois ônibus que transportavam integrantes da torcida Máfia Azul retornavam de Curitiba para Belo Horizonte, após uma partida contra o Athletico-PR. Ao passarem pelo km 65 da Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, foram interceptados por cerca de 100 membros da Mancha Alviverde.
A violência foi premeditada: os agressores utilizaram barras de ferro, pedaços de madeira e rojões. Um dos ônibus foi totalmente incendiado, e o outro teve todos os vidros quebrados. José Victor dos Santos Miranda, de 30 anos, natural de Sete Lagoas, foi a vítima do confronto. O laudo pericial apontou que o ataque foi executado com “recurso que dificultou a defesa da vítima” e emprego de meio cruel.
Dois meses após o ocorrido, em dezembro de 2024, o Ministério Público denunciou 20 integrantes da Mancha Alviverde. Na denúncia, os promotores afirmaram que os acusados assumiram o risco de homicídio por motivo torpe. Atualmente, os principais líderes da organizada estão presos ou respondem a processos criminais severos.
Com a entrega do TAC à Justiça, a Mancha Alviverde busca não apenas o ajuste de conduta, mas também o retorno aos estádios, condicionando sua presença ao cumprimento rigoroso das novas normas de segurança e monitoramento de seus membros. O Palmeiras, por sua vez, segue utilizando o documento para reafirmar que o crime foi um ato isolado de uma entidade terceira, da qual o clube se encontra institucionalmente rompido.
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