
Uma grande estrutura criminosa responsável por um esquema bilionário de fraude fiscal foi desarticulada pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal através das operações “Títulos Podres” e “Consulesa”. A organização operava em cinco estados (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão) e cumpriu 79 mandados judiciais em 17 cidades, expondo uma engrenagem que movimentou milhões e resultou na prisão de lideranças e operadores do grupo.
O golpe consistia no assédio a prefeituras, hospitais filantrópicos e empresários endividados, oferecendo falsos créditos tributários com a promessa de até 30% de desconto para quitar débitos federais e previdenciários. Na prática, a quadrilha utilizava "títulos podres" — como papéis da dívida externa da Bahia emitidos em 1904 e já vencidos — para simular os pagamentos nos sistemas. As vítimas, acreditando estar regularizando suas contas, contraíram abismos financeiros ainda maiores.
Rombo milionário na saúde de BH
A Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte desponta como uma das principais prejudicadas da iniciativa privada filantrópica. Segundo as apurações da PF, o hospital transferiu quase R$ 28 milhões para as contas da quadrilha em um contrato firmado em 2020 para tentar sanar déficits. O rombo só foi detectado após uma auditoria internacional identificar a irregularidade.
Em nota, a Santa Casa foi notificada oficialmente pela Receita em 2025 e informou que já adota todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para salvaguardar o patrimônio da instituição e buscar o ressarcimento dos danos.
Os líderes e a estrutura dos núcleos criminosos
A investigação mapeou dois braços principais que dividiam o mesmo modus operandi, revelando detalhes de como os líderes gerenciavam o esquema e ocultavam os lucros astronômicos:
Núcleo Antônio Carlos de Paula e Henrique Neves Santiago de Paula:
O advogado e seu filho, Henrique Neves (fundador da cervejaria Läut), atuavam por meio da ACP Consultoria, em Campo Belo (MG), arrecadando mais de R$ 27 milhões das vítimas. A dupla esteve presa no sistema prisional mineiro no início de maio de 2026 antes de ser transferida para uma unidade de outro estado. O dinheiro ilícito desse núcleo era rapidamente pulverizado em transferências entre empresas do grupo e lavado na compra de lanchas de luxo registradas em nomes de "laranjas" ou de outros CNPJs da família. Além disso, as investigações apontam que mais de R$ 619 mil foram desviados entre 2016 e 2017 para financiar diretamente a abertura e o funcionamento da fábrica da cervejaria Läut, pertencente ao filho do advogado.
Núcleo Ivan Regis dos Passos:
Comandava as empresas Consulminas (Belo Horizonte) e Montamed (Macaé-RJ). Ivan era responsável por definir as estratégias das fraudes, distribuir tarefas, controlar o caixa e autorizar a divisão do dinheiro. Para tentar se blindar, o investigado utilizava dois CPFs distintos, com nomes de mães e datas de nascimento diferentes. Seu grupo realizou mais de 24 mil pedidos fraudulentos de compensação, movimentando cerca de R$ 670 milhões. Somente nas contas dele e de sua esposa, o rastro passou de R$ 11 milhões. Quando a Receita Federal bloqueou o esquema, interceptações telefônicas revelaram que Ivan planejou o assassinato de uma Auditora-Fiscal que alertava prefeituras sobre o golpe, sugerindo "matar logo e tirar esta mulher do circuito", o que motivou sua prisão preventiva. Junto a este núcleo, o operador Daniel Vitória Benevides Moreira — responsável por funções operacionais e articulação com agentes públicos — foi preso e encaminhado ao Complexo Penitenciário Nelson Hungria.
Prefeituras mineiras "enforcadas" pelas dívidas
O impacto da fraude asfixiou orçamentos municipais na região central de Minas Gerais. Os criminosos chegavam a invadir remotamente computadores das administrações para transmitir as declarações falsas e ocultar a origem da fraude.
Em São José da Lapa, o golpe resultou em um rombo de R$ 29 milhões após negociações para abater dívidas com o INSS por meio da Montamed. A prefeitura perdeu temporariamente o acesso ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), precisou parcelar o débito em 300 vezes e realizar severos cortes orçamentários em serviços e funcionalismo.
Em Funilândia, o prefeito José Inácio Pereira confirmou que o município repassou R$ 3 milhões à quadrilha em um contrato assinado na gestão anterior (do ex-prefeito Edson Vargas), sem que nenhuma compensação real ocorresse. Em Capim Branco, o vice-prefeito Romar Gonçalves Ribeiro entrou no radar da PF sob a suspeita de ter se beneficiado financeiramente das compensações fraudulentas e facilitado o trâmite na prefeitura. A prefeitura de Prudente de Morais também figura entre as vítimas duramente atingidas pela rede criminosa.
Vazamento de dados sigilosos e tecnologia
O esquema contou com a colaboração ativa de servidores públicos que atuavam como informantes. Um funcionário do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e um técnico do INSS lotados no Rio de Janeiro foram afastados por acessar bancos de dados, sem justificativa funcional, para levantar dívidas milionárias de alvos em Minas Gerais e repassá-las aos líderes. O servidor do Serpro, Luiz Antônio Martins Nunes, também é investigado pelo vazamento de dados de autoridades, incluindo o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
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