
A Polícia Civil de Minas Gerais realizou, na manhã desta terça-feira (9), uma operação de busca e apreensão para investigar suspeitas de irregularidades em contratos do transporte escolar da Prefeitura de Três Marias, no Sul de Minas.
De acordo com as investigações, o esquema envolveria o prefeito Danilo Barbosa Rezende, aliados políticos e empresas do setor de transporte em um suposto contexto de corrupção estrutural. Entre as suspeitas levantadas estão manipulação de procedimento licitatório, direcionamento de contrato de R$ 3,78 milhões à cooperativa Viacoop, tentativa de ocultação de provas e utilização de celulares, computadores e armazenamento em nuvem para articular e esconder possíveis irregularidades.
A decisão judicial que autorizou a operação aponta que Danilo Barbosa assumiu o cargo em janeiro de 2025 e, em vez de abrir processo licitatório para o transporte escolar rural, teria firmado contrato diretamente com a Viacoop.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirma haver indícios de inversão de fases da contratação pública, falhas na formalização e execução do contrato, além de favorecimento de parceiros e apoiadores políticos ligados à atual administração.
Os investigadores apuram possíveis crimes previstos na legislação de licitações e contratos, na Lei de Organizações Criminosas e no Código Penal, incluindo associação criminosa, corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Em relação ao prefeito, os promotores apontam suspeitas de peculato e de práticas voltadas à ocultação da origem de recursos relacionados ao contrato do transporte escolar.
Depoimento aponta “corrupção estrutural”
Em depoimento prestado ao Ministério Público, um ex-procurador-geral da Prefeitura de Três Marias relatou a existência de um cenário de “corrupção estrutural” dentro da administração municipal. Segundo ele, decisões administrativas consideradas estratégicas seriam conduzidas por interesses políticos e pessoais, com participação direta do prefeito na escolha de fornecedores, condução de procedimentos e criação de estruturas paralelas de assessoramento para influenciar contratos e contratações.
Ainda conforme o relato, havia orientações internas para retardar ou deixar de responder solicitações do Ministério Público, com o objetivo de ganhar tempo para ajustar documentos e ocultar inconsistências. Para o MPMG, a prática indicaria tentativa de mascarar irregularidades e apresentar informações incompletas aos órgãos de controle.
Na representação encaminhada ao Judiciário, o Ministério Público argumentou existir risco de destruição, adulteração ou ocultação definitiva de provas, principalmente registros digitais armazenados em celulares, computadores e serviços em nuvem. O órgão solicitou acesso a dados armazenados desde junho de 2024, período da campanha eleitoral, até março de 2026, quando as investigações sobre o contrato passaram a ser conduzidas formalmente.
Os promotores também destacaram a possibilidade de ocultação de aparelhos e documentos antes do cumprimento das ordens judiciais. Por isso, pediram buscas simultâneas em residências e em abordagens pessoais, além da preservação imediata de dados, metadados e registros de acesso ligados a e-mails, serviços em nuvem e perfis em plataformas como Google, Microsoft e redes sociais utilizadas pelos investigados.
Entre os alvos da operação estão o prefeito Danilo Barbosa Rezende, servidores e ex-servidores municipais, empresários do ramo de transportes e empresas ligadas ao município de Três Marias, incluindo a cooperativa Viacoop Serviços e Transportes. As diligências foram realizadas em imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais e locais ligados à estrutura da prefeitura.
Com informações da PCMG
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