
Um caminhoneiro de 50 anos perdeu mais de R$ 29 mil após ser alvo de um golpe de estelionato eletrônico na última quinta-feira (9), no bairro Brasília, em Sete Lagoas. Os criminosos utilizaram o nome da JSL Logística e Transportes para atrair a vítima pelo WhatsApp e assumir o controle remoto de seu aparelho celular.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o primeiro contato aconteceu sob o pretexto de uma proposta para a aquisição de um caminhão mais novo. Como o motorista explicou que ainda estava quitando o veículo atual, o suposto funcionário mudou a estratégia e afirmou que realizaria apenas um cadastro preventivo para negociações futuras.
A ação criminosa se estendeu por cerca de duas horas, por meio de chamadas de vídeo e de voz. Durante esse período, o estelionatário induziu a vítima a realizar uma série de procedimentos de segurança e validação no próprio telefone.
O caminhoneiro foi convencido a enviar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em formato PDF, realizar autenticações por biometria facial (selfie) e efetuar um PIX no valor de R$ 1, que o golpista alegava ser necessário para a “validação bancária” do cadastro.
O ponto central da fraude ocorreu quando o autor orientou o motorista a instalar um aplicativo chamado “Portal JSL”. O programa, na verdade, era um malware (software malicioso) que permitia aos criminosos espelhar e controlar o celular do caminhoneiro à distância, sem que ele percebesse.
Assim que conseguiu recuperar o controle do telefone, a vítima constatou o tamanho do prejuízo. Os criminosos haviam contratado um empréstimo fraudulento no valor de R$ 11.409 junto ao Banco Santander. Na sequência, realizaram uma série de transferências via PIX que, somadas, totalizaram um desfalque superior a R$ 29 mil. Os valores foram transferidos em operações sucessivas de R$ 7 mil, R$ 7 mil, R$ 4 mil, R$ 300 e R$ 158,88.
De acordo com o depoimento do motorista, o dinheiro do empréstimo foi creditado em sua conta e imediatamente transferido para contas de terceiros — tática comumente utilizada por quadrilhas para pulverizar os valores e dificultar o rastreamento policial.
Novos prejuízos só não foram maiores porque o sistema de segurança do Sicoob detectou a movimentação atípica e bloqueou preventivamente o aplicativo bancário da vítima.
O caminhoneiro já apresentou contestação formal às instituições financeiras e foi orientado a anexar o boletim de ocorrência para dar andamento ao processo administrativo de tentativa de reaver os valores. O caso agora é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.
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