
O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A informação foi divulgada pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
Segundo o USTR, a lista de exceções, com os produtos que não serão sobretaxados, será publicada nas próximas horas no Federal Register. Entre os itens já confirmados como isentos estão carne bovina e café.
Até o anúncio da decisão, representantes do governo brasileiro mantiveram reuniões com integrantes do USTR para tentar reverter a medida. Durante as negociações, o Brasil classificou a sanção comercial como injusta e reforçou que os Estados Unidos registram superávit na balança comercial entre os dois países. Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,72 bilhões para o mercado norte-americano.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4.200 produtos brasileiros poderão ser afetados pela nova tarifa, o que representa aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Entre os produtos potencialmente atingidos estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.
Para reduzir os impactos sobre as empresas brasileiras, o Ministério da Fazenda estuda editar uma medida provisória de apoio ao setor, nos moldes do Programa Brasil Soberano, criado no ano passado para auxiliar empresas afetadas pelo primeiro tarifaço.
Outra alternativa em análise é a adoção de medidas de reciprocidade pelo governo brasileiro. No entanto, especialistas avaliam que o Brasil deve agir com cautela para evitar o agravamento das tensões comerciais entre os dois países.
Para o advogado especialista em Direito Internacional Daniel Toledo, a decisão vai além da questão econômica e representa uma mudança na forma como os Estados Unidos utilizam o comércio internacional como instrumento de política externa, podendo gerar maior desgaste nas relações bilaterais e aumentar a insegurança para investimentos.
Já o especialista em comércio exterior Jackson Campos avalia que a nova tarifa pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, provocar renegociação de contratos, revisão de investimentos e acelerar a busca por novos mercados pelas empresas exportadoras.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também manifestou preocupação com a medida. Segundo a entidade, a sobretaxa poderá provocar substituição de fornecedores brasileiros, pressão por redução de preços, diminuição das margens de lucro e renegociação de contratos comerciais.
Em junho, o USTR divulgou os resultados de duas investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. No caso do Brasil, o órgão concluiu que práticas relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e políticas de combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos.
Além da tarifa de 25%, o USTR propôs outra sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado. O Brasil foi incluído entre os países que, segundo o órgão, não aplicariam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Em alguns casos, as duas tarifas poderão ser aplicadas simultaneamente, elevando a tributação para 37,5%.
Especialistas também alertam que a medida pode gerar impactos para os próprios consumidores norte-americanos. Como parte dos produtos importados não possui substitutos produzidos localmente com o mesmo custo ou escala, o aumento das tarifas pode elevar os custos das empresas e pressionar a inflação nos Estados Unidos, embora ainda não seja possível mensurar o alcance desse efeito.
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