
O ferro-gusa, principal produto da cadeia siderúrgica de Sete Lagoas, ficou de fora da nova tarifa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos para milhares de produtos brasileiros. A decisão foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que incluiu o insumo na lista de exceções da medida.
A exclusão representa um importante alívio para o setor siderúrgico da região, que depende das exportações para o mercado norte-americano e temia perdas de competitividade caso o produto fosse incluído no chamado tarifaço.
A nova política comercial dos Estados Unidos é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR, que apontou supostas práticas comerciais consideradas restritivas por parte do Brasil. Entre os motivos citados estão questões relacionadas ao Pix, ao acesso ao mercado brasileiro para o etanol norte-americano, além de críticas às políticas de combate ao desmatamento ilegal e à pirataria.
Com a medida, diversos produtos brasileiros passarão a ser taxados em 25% a partir da próxima terça-feira (22), incluindo vestuário, papel, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, produtos químicos, bens de capital e manufaturados. As cargas que já estão em trânsito para os Estados Unidos não serão afetadas.
A permanência do ferro-gusa na lista de exceções evita um cenário considerado crítico pelas siderúrgicas brasileiras. O setor temia que, além da tarifa de 25%, fosse aplicada outra sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado, elevando a tributação para 37,5%.
Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), esse percentual poderia inviabilizar as exportações brasileiras e comprometer o funcionamento de cerca de 55% das usinas de ferro-gusa do país, com reflexos diretos sobre empregos e a economia de municípios produtores, como Sete Lagoas.
Diante desse risco, representantes do setor participaram de audiências públicas em Washington para defender a retirada do produto da lista de itens tarifados. Entre eles estava o presidente da SDS Siderúrgica, de Sete Lagoas, Frederico Henriques Lima e Silva.
A decisão do governo norte-americano de manter o ferro-gusa fora da nova tarifa está relacionada à importância estratégica do insumo para a indústria dos Estados Unidos.
Mais de 95% do ferro-gusa produzido em território norte-americano é consumido pelas próprias usinas integradas, tornando o país dependente das importações brasileiras para abastecer fundições e manter a produção industrial.
Atualmente, o ferro-gusa brasileiro já é exportado para os Estados Unidos com uma tarifa de 10%. O setor, porém, acompanha a possibilidade de encerramento dessa cobrança nos próximos dias, caso a medida não seja renovada pelo Congresso norte-americano, o que poderá ampliar ainda mais a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
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