
O diesel deveria estar R$ 0,46 mais barato nas bombas, por causa do acordo entre governo federal e caminhoneiros. Mas, em Belo Horizonte, o preço caiu só R$ 0,27, de acordo com pesquisa do site Mercado Mineiro. O levantamento compara os preços médios do dia 18 de maio, antes da greve, com os do dia 10 de junho, depois da paralisação. Embora tenha caído menos do que o esperado, o diesel está mais barato. Já a gasolina e o etanol ficaram cerca de 7,5% mais caros nesse mesmo período. O levantamento foi feito em 121 postos da região metropolitana de Belo Horizonte.
Antes da greve, a gasolina<CW-20> custava, em média, R$ 4,53, e o etanol, R$ 2,87. Agora, estão custando R$ 4,87 e R$ 3,09, respectivamente. O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, explica que a tendência é de estabilização do etanol e novos aumentos para a gasolina. “O preço pago ao produtor, sem impostos e sem frete, está variando entre R$ 1,68 e R$ 1,69. Antes da greve, estava em R$ 1,64. Já a gasolina continua com os reajustes diários, o que será agravado com as questões do aumento do dólar”, explica.
Só que nem o álcool, que está estável, nem o diesel, que já caiu de preço, e nem a própria gasolina estão livres de novos aumentos. “O tabelamento do frete anunciado pelo governo é uma medida totalmente inflacionária e que vai afetar toda e qualquer mercadoria transportada por um caminhão, inclusive os próprios combustíveis devem sofrer repasses, pois o frete ficará mais caro”, avalia.
Vantajoso
Entre preços que subiram e caíram, uma coisa não mudou: o etanol continua valendo mais a pena. Ele está custando, em média, 63,4% do valor da gasolina. “O consumidor está em uma situação difícil. A gasolina está subindo, o etanol também, apesar de estar em plena safra de cana-de-açúcar. Mas a tendência é a gasolina subir ainda mais, porque o preço do barril de petróleo já chegou a US$ 120. Então, a melhor saída para quem tem carro flex é deixar a gasolina de lado e usar o etanol”, destaca o coordenador do Mercado Mineiro Feliciano Abreu.
A pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), feita todas as sextas-feiras, confirma o movimento de aumento dos preços. Entre 27 de maio e 2 de junho não foi possível coletar os dados, pois não havia combustível nos postos. Mas a comparação entre 9 e junho e 19 de maio mostra que a gasolina subiu de R$ 4,42 para R$ 4,88, e o etanol passou de R$ 2,84 para R$ 3,09 em Minas.
REAJUSTES
Variação de preços entre 18.5 e 10.6:
Gasolina: de R$ 4.538 para R$ 4,874 (+7,40%)
Etanol: de R$ 2,873 para R$ 3,090 (+ 7,55%)
Diesel: de R$ 3,895 para R$ 3,621 (-7,03%)
Tabela do frete já tem 30 atuações na Justiça
O tabelamento do frete, em vigor desde 30 de maio, já é contestado em 30 ações judiciais (entre coletivas e individuais), movidas por empresas e entidades representativas, de acordo com último mapeamento da Advocacia Geral da União (AGU). Do total, houve decisão de primeira instância, na Justiça Federal do Rio Grande do Norte, em quatro processos.
A AGU aguarda decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), apresentada pela Associação do Transporte Rodoviário de Cargas do Brasil (ATR) na sexta-feira. No processo, a entidade pede a suspensão imediata da tabela.
Impacto no PIB é consenso no mercado
O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, admitiu ontem que o governo poderá rever para baixo a previsão oficial sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Ele observou, porém, que essas previsões são reavaliadas a cada dois meses na programação orçamentária e que não faria revisões a cada semana. As previsões do governo apontam um crescimento de 2,5% do PIB em 2018, mas ontem o boletim Focus do Banco Central mostrou que o mercado já vê um avanço inferior a 2%, na previsão mais pessimista do ano.
A greve de caminhoneiros deve impactar o PIB do segundo trimestre do ano, mas ainda não é possível precisar o tamanho da repercussão da paralisação sobre a atividade econômica, afirmou Roberto Olinto, presidente do IBGE.
Os economistas do mercado financeiro elevaram suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2018, de 3,65% para 3,82%, no relatório Focus divulgado ontem pelo BC. Quanto ao PIB, a projeção de crescimento para 2018 passou de 2,18% para 1,94%.
Custo da queda do diesel para o governo será de R$14,7 bilhões
O custo para promover uma redução de R$ 0,46 no preço do diesel nas refinarias até o fim deste ano é de R$ 14,7 bilhões, segundo cálculos divulgados ontem pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado. O valor é R$ 1,11 bilhão maior do que o divulgado pelo governo, que estimou, no começo deste mês, o custo da redução de tributos e da concessão de subsídios em R$ 13,59 bilhões, dos quais R$ 4,01 bilhões seriam compensados por meio da redução de benefícios para setores da economia e outros R$ 9,58 bilhões por meio da concessão de subsídios ao diesel.
Na ocasião, o governo informou que a redução de R$ 0,16 por litro na alíquota do PIS/Cofins sobre combustíveis, do total de R$ 0,46 por litro, custaria R$ 4 bilhões até o fim deste ano.
Segundo a IFI, porém, o impacto da renúncia de Cide, PIS e Cofins é estimado em R$ 5,1 bilhões.
Por Queila Ariadne - OTempo

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