
O fluxo de pessoas na divisa com o Espírito Santo pode ser uma das razões para o ressurgimento dos registros de malária em Minas. Vinte casos já foram confirmados neste ano e outros cinco são investigados em Galiléia, Conselheiro Pena e Mantena, municípios situados nos limites dos dois estados.
As notificações mais recentes, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), tiveram início no último dia 17 e não são autóctones (quando a infecção ocorre dentro do próprio território). O sinal vermelho, no entanto, foi aceso já que a dinâmica de transmissão é semelhante à da dengue e da febre amarela, doenças que já fizeram centenas de vítimas em Minas.
Subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde da SES, Rodrigo Said explica que a malária está relacionada as questões ambientais. Portanto, atividades como a extração de pedras, típicas da região, degradam o ecossistema local gerando acúmulo de água, o que serviria como criadouro para os mosquitos transmissores. “Além disso, estamos no período da colheita de café naquela área, o que pode favorecer o fluxo do parasita”.
O subsecretário destaca, ainda, a necessidade de que os diagnósticos sejam agilizados. “Todos os pacientes com febre alta estão recebendo orientação especial. Há risco de que os sintomas sejam confundidos com outra doença, já que por lá também tem arboviroses como a dengue. A identificação diferencial é muito importante”, ressalta.
A proliferação da malária está concentrada na região amazônica do país. Minas, apesar de não ser uma área endêmica, já teve registros de transmissão autóctone da doença. Em 2016, 23 casos foram contabilizados em Couto Magalhães de Minas e Diamantina, no Vale do Jequitinhonha.
Urbanização
O surto de enfermidades cuja transmissão é semelhante à da malária pode servir como um aviso do que está por vir. Quem afirma é o virologista Flávio Guimarães da Fonseca, da UFMG.
O pesquisador explica que uma redistribuição da população de mosquitos da área silvestre para a urbana pode estar acontecendo. Um exemplo seria a epidemia recente da febre amarela, que fez 528 doentes no Estado no último período de monitoramento, de julho de 2017 a junho de 2018.
“Seja porque estamos acabando com os ambientes silvestres ou por uma possível mudança na distribuição das chuvas, a dinâmica do mosquito é a mesma e não há como descartar a possibilidade de um futuro surto”, afirma Fonseca.
Já o virologista Dário Brock Ramalho, especialista no tratamento de pacientes da febre amarela, afirma que os 20 casos de malária registrados em 2018 no território mineiro são um número considerável. “Claro que é cedo para prever um surto, mas as condições para que a doença retorne existem”, afirma.

Por Raul Mariano - hojeemdia

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