
A Petrobrás anunciou aumento de 1,02% no preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias, que entra em vigor nesta quinta-feira, dia 13, para R$ 2,2294. O reajuste representa nova máxima histórica desde que a estatal passou a divulgar o preço médio diariamente em seu site, em 19 de fevereiro. Desde 5 de setembro o preço permanecia em R$ 2,2069.
Já o preço do diesel permanece em R$ 2,2964, conforme tabela disponível no site da empresa.
Na última quinta-feira, 6, a diretoria da companhia anunciou uma alteração na sua política de reajuste do preço da gasolina. O valor do litro na refinaria poderá ficar congelado por até 15 dias, em vez de sofrer alterações diárias, como acontecia desde julho do ano passado. Para evitar prejuízos, a empresa vai recorrer a instrumentos financeiros de proteção – a compra de derivativos de gasolina na Bolsa de Nova York e o hedge cambial no Brasil.
O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, acredita que o setor de óleo e gás no País está diante de um momento inédito em sua história, marcado pelo encolhimento da atuação da Petrobrás e pela aproximação do mercado nacional ao global no que diz respeito à formação do preço dos combustíveis e abertura para atuação de empresas privadas. "O novo cenário faz com que o Brasil converse mais com o mercado global", disse nesta quarta-feira, 12, durante seminário com empresários e consultores do setor.
Oddone lembrou que as principais mudanças no mercado brasileiro foram a quebra do monopólio da Petrobrás e o reposicionamento da estatal, que reduziu seu volume de investimentos e passou por uma onda de venda de ativos nos últimos anos. "Hoje, a Petrobrás não funciona como um braço do governo. Ela busca maximizar lucro do acionista. E isso é legítimo", comentou Oddone. "Mas exige um acompanhamento regulatório maior. Isso é inédito e demanda da agência uma responsabilidade maior", completou.
Ele ponderou, entretanto, que a indústria nacional permanece sujeita ao risco de a Petrobrás voltar, eventualmente, a atuar como um agente do governo federal, com a definição dos preços baseada em critérios políticos. "A encruzilhada em que nos encontramos é inquietante. É preciso respeitar o mercado, ter transparência na formação de preços, aumentar a competitividade do mercado", afirmou, salientando que as incertezas nas políticas de preços dos combustíveis dificultam o planejamento de investimentos tanto pela Petrobrás quanto pelas demais empresas do setor.
O diretor-geral da ANP acrescentou que a exploração e produção de petróleo no Brasil é relevante, mas não reflete o potencial da indústria, que tem oportunidade de aumentar de tamanho. Segundo estimativa da agência reguladora, o País perdeu cerca de R$ 1 trilhão de investimentos na última década devido à paralisação de leilões e falta de transparência sobre a condução das políticas para o setor.
Por Fabiana Holtz e Circe Bonatelli - Estadão / msn

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