
Para muitas mulheres, a chegada de um filho simboliza um período ímpar na vida. Da mesma forma, vencer um câncer de mama também traz a esperança de vida nova para quem precisou lutar contra a doença. Foi essa a sensação da dentista Kátia Kalene Spósito, 43. Quando se preparava para a chegada do segundo filho, ela percebeu um nódulo no seio direito. Depois do diagnóstico, vieram as sessões de quimioterapia, a cirurgia de retirada da mama e as manutenções com radioterapia. “Na primeira notícia, a gente fica apavorada, mas minha reação foi pedir a Deus e, depois, correr atrás da cura”, relembra. Hoje, passados oito anos desde o diagnóstico, Kátia comemora. “Somos todos vitoriosos. Essa briga foi de toda a minha família”, disse à reportagem de O TEMPO para a série Um toque de esperança.
Vencer a luta contra o câncer não é realidade para todos que têm a doença. E, por isso, a medicina opta por não usar a palavra “cura” nem mesmo nos casos de evolução positiva do tratamento. Para o doutor Alexandre Chiari, oncologista clínico da Oncomed, em algumas situações, é possível que ocorra a recidiva do câncer de mama, ou seja, que ele reapareça depois de alguns anos. “Quando acaba todo o tratamento, a paciente entra na fase de controle. Existem alguns tipos de câncer que têm como característica a recidiva precoce. Em outros, a recidiva é tardia. Alguns nem reaparecem”, explica.
Ainda segundo o médico, quando a mulher entra no estágio de remissão e não é acometida novamente pela doença, é possível viver normalmente, como antes do diagnóstico. Não há restrições nem é necessário o uso de medicamentos. A recomendação a quem já teve a doença é a mesma dada a todas as mulheres: atividade física com regularidade, alimentação balanceada, autoexame e visitas médicas periódicas.
Fé como aliada
Ainda que a vida da atendente de gabinete Raquel Rossi, 36, pareça ter virado pelo avesso, sua fé em Deus redobrou depois que ela descobriu o câncer de mama, em 2016. A notícia ficou ainda pior quando a médica explicou a gravidade do tumor. “Me deram cinco anos de vida, mas eu sabia que Deus estava no controle”, relembra. Mãe de dois filhos, Raquel hoje trata o câncer com hormonioterapia e agradece por estar viva.
Também foi com fé que a dona de casa Regina Maia, 59, superou o tumor. Ela relembra o quão difícil foi receber a notícia do diagnóstico, em 2015, após sentir uma forte dor no braço. “Quando peguei o resultado dos exames, estava sozinha. Fechei os olhos e pedi a Deus para continuar viva”, diz. Em cada ida dela ao hospital, a preocupação dava lugar à fé, e, hoje, há um ano sem a doença, ela agradece a Deus. “Eu venci o câncer de mama”, comemora.

Foi justamente no dia do aniversário que a assistente administrativa Francislene Cristina de Freitas, 38, recebeu a notícia de que estava com diversos nódulos nos dois seios. O câncer fez com que o cabelo dela caísse e exigiu a retirada de parte das mamas, mas nada foi capaz de deixá-la tão triste quanto a morte de duas grandes amigas, que também lutavam contra a doença. “Perdi duas pessoas nessa caminhada. Por algum motivo, elas não conseguiram sobreviver”, lembra.
Mesmo com a dor da perda, ela teve força para enfrentar o câncer. “Nós, que estamos em tratamento, queremos que todas vençam. Eu prefiro acreditar que a morte delas faz parte dos planos perfeitos de Deus”, conta.
Em muitos casos, a morte se torna uma realidade próxima e implacável. Porém, receber tratamento digno, mesmo quando há a evolução negativa da doença, garante alívio físico, emocional e psicológico de pacientes e familiares.
Desde 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o conceito de “cuidados paliativos”. A terapia envolve uma equipe multidisciplinar, que tem como objetivo não adiar a morte, mas reafirmar que ela, assim como a vida, é um processo natural inerente a todos. “O câncer adoeceu toda a família, trouxe o temor da morte, mas os cuidados médicos que recebemos nos ajudaram muito”, diz.
Casa Delas
Agenda
De 23 a 28 de outubro, no piso 3 do Boulevard Shopping, a Oncomed vai promover o Casa Delas, um espaço especialmente montado para a troca de informação por meio de palestras, workshops e oficinas.
Atividades
Também haverá área para descanso, meditação e beleza para mulheres – em tratamento contra o câncer ou não. A programação está disponível no site www.casadelas.com.br.
Por Raquel Penaforte e Thalita Marinho - OTempo

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