
Com uma proposta polêmica, o deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT) quer obrigar bares e restaurantes de Minas Gerais a servir água filtrada de graça aos clientes, sem limite de consumação. O Projeto de Lei 963/2019 ainda precisa ser analisado em pelo menos três comissões, mas pode ser apreciado ainda neste mês na Assembleia Legislativa, apesar da resistência do setor de bares e restaurantes.
O deputado justifica a proposição alegando que a cobrança por água potável em estabelecimentos comerciais discrimina quem não pode pagar pelo consumo de outras bebidas. “Por trás desse comportamento destoante de nossos costumes, existe o inegável interesse econômico de lucrar com a venda de bebidas industrializadas, o que de por si nada teria de condenável, não fosse a recusa em fornecer água potável filtrada gratuitamente a quem não dispõe de recursos para comprar essas outras bebidas”, diz trecho da proposta.
Se o projeto virar lei, o poder Executivo ficaria encarregado de fiscalizar o cumprimento da medida — definindo o órgão responsável por acompanhar a implementação das normas e as penalidades, como multas e outras sanções, que não estão prevista no texto original.
A proposta apresentada sofre forte resistência da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG). O presidente da entidade, Ricardo Rodrigues, avalia que o projeto é inconstitucional. “Nós tivemos uma decisão da Justiça similar em 2014, que considerou esse tipo de projeto inconstitucional. É obrigar um estabelecimento comercial a transformar um produto em cortesia. Esperamos que o deputado entenda o absurdo da proposição, que não tem qualquer base legal”, avalia Rodrigues.
Ainda conforme a Abrasel, a medida pode acirrar ainda mais a crise do setor. Nos últimos quatro anos, 35% dos bares e restaurantes fecharam as portas em Minas Gerais, segundo balanço da entidade.
“Não importa se a venda de água representa 2% ou 20% do faturamento. Existe um custo envolvido para armazenar a água, para gelar. Se for obrigatório, é claro que esse valor seria repassado ao cliente. Não é de graça. E isso pode piorar a situação dos estabelecimentos”, complementa Rodrigues.
Inconstitucional
No mês passado, a Abrasel enviou ofício ao deputado Alencar da Silveira Jr, avaliando o PL 936/2019 como inconstitucional e recomendando a retirada de tramitação na Assembleia. A entidade argumenta que conseguiu derrubar uma legislação similar, de 2014, que determinava a instalação de bebedouros de água filtrada em boates e casas noturnas de Belo Horizonte — a lei da então vereadora Elaine Matozinhos (PTB) foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Mesmo assim, o deputado Alencar da Silveira Jr. não desistiu da proposta, principalmente porque estados como Sergipe e Rio de Janeiro têm legislações que garantem água potável de graça para os clientes de bares, restaurantes e casas noturnas.
“Outros lugares no Brasil têm essa experiência. No Rio, isso acontece há anos. E no exterior isso também é uma regra básica, nos EUA e na Europa. Algumas pessoas alegam que isso terá um custo maior. Não sei qual custo se os restaurantes já têm que ter água filtrada para os funcionários”, diz o deputado.
O PL 936/2019 ainda precisa de parecer nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ), Defesa do Consumidor e do Contribuinte. Só depois dessas análises, a proposta poderá ir à Plenário. “Não acho que vamos ter dificuldade nas comissões. Ainda em agosto eu espero que chegue no Plenário para as votações”, diz Alencar.

CASO BANCO MASTER STF autoriza transferência de Daniel Vorcaro e investigações podem avançar com possível delação
VISITA PRESIDENCIAL Lula anuncia entrega de mil ônibus escolares durante agenda em Sete Lagoas
CENÁRIO POLÍTICO Deputado João Vítor Xavier anuncia que não será candidato à reeleição
FALHAS NA GESTÃO Ex-secretárias são condenadas a devolver R$ 1,9 milhão após irregularidades em 'kits bebê'; decisão ainda cabe recurso
AGENDA PRESIDENCIAL Presidente Lula cumpre agenda em Sete Lagoas nesta sexta-feira (20)
POMPÉU Denúncia ao Ministério Público aponta possíveis irregularidades no Carnaval 2025 em Pompéu Mín. 18° Máx. 28°


