
O cálculo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) é que a situação ruim – colapso, inexistência, baixa qualidade – da infraestrutura ocasiona ao agronegócio do Brasil custos logísticos de cerca de US$ 36 bilhões por ano, que representam um gasto equivalente a 12,4% do PIB.
Isso tira competitividade das exportações de soja e milho, nas quais o Brasil é o primeiro e o segundo exportador mundial, e faz com que o custo do transporte chegue a representar 50% do preço da tonelada de milho e 24% do preço da tonelada de soja.
O que assombra, e ao mesmo tempo demonstra a extraordinária potência do agronegócio brasileiro, é que mesmo nessas condições o Brasil é um dos três principais atores do comércio mundial de grãos, junto com os Estados Unidos e a Argentina.
Um estudo da Bolsa de Comércio de Rosário, na Argentina, mostra que os dois principais polos produtivos brasileiros estão situados no Mato Grosso e na Bahia, a distâncias de 1.500 quilômetros e 3.000 quilômetros dos sistemas de transporte mais competitivos, que são o ferroviário e o hidroviário.
Segundo a Bolsa de Rosário, esse fato tem uma explicação histórica. O agronegócio brasileiro tem uma história de apenas 30 anos.
No começo do século 20, a produção tradicional de grãos se concentrava na região Sul, o café e a cana-de-açúcar no Sudeste – com epicentro no estado de São Paulo -, e a pecuária extensiva se desenvolvia nas imensas planícies do Centro-norte, no Cerrado brasileiro.
O resultado dessa distribuição espacial é que as duas grandes regiões de produção intensiva de grãos – Mato Grosso e Bahia - dependem em mais de 60% do transporte terrestre por caminhão, que é a forma mais cara e mais ineficiente de utilizar a infraestrutura extremamente precária do país.
A Embrapa indica que o transporte por caminhão representa 61,1% do total; por estrada de ferro, 20,7%; por hidrovia, 13,6%; e por via aérea, 0,4%. Esses sistemas de transporte colocam o Brasil na posição número 56 da classificação do “Índice Logístico do Banco Mundial”, que avalia a situação de 160 países.
O caso do Mato Grosso – principal produtor intensivo de grãos – é amplamente representativo dessa situação crítica: 32,9% da produção é vendida através do porto de Santos, situado a mais de 2.000 quilômetros, na costa do Atlântico. Isso significa que não menos de 42 milhões de toneladas de grãos precisam ser transportadas de caminhão.
O Banco Mundial estima que apenas 12% das estradas brasileiras são pavimentadas, enquanto essa marca é de 100% nos Estados Unidos e de mais de 80% na China.
O Brasil tem 29.000 quilômetros de ferrovias em um gigantesco território de 8.516.000 km2. Desse total, mais de 7.000 quilômetros estão fora de circulação.
O resultado é que enquanto a velocidade média de seus trens é de 25 quilômetros por hora, a dos Estados Unidos é de 80 quilômetros por hora.
A conclusão é clara: a principal reforma de que o agronegócio brasileiro necessita imperiosamente é a modernização da infraestrutura precária do país.

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