
Embora esteja sendo usado de forma positiva para diversos fins nos últimos dias, o isolamento social provocado pela pandemia do COVID-19 também tem se tornado um gatilho para muitas pessoas em todo o mundo. A estadia compulsória em casa e o afastamento da rotina e do convívio com outras pessoas tem preocupado psicólogos e psiquiatras, que têm se mobilizado para conter o medo e a ansiedade, agravados em grande parte da população nesse período.
Entre as muitas iniciativas criadas para minimizar o impacto psicológico do isolamento está o plantão da Conexão Afetiva. Durante 16 horas por dia, de 8h até 00h, 55 psicólogos, 10 deles de Minas Gerais, se disponibilizaram a atender de casa qualquer pessoa com mais de 18 anos que busque atendimento. Totalmente gratuito e on-line, o plantão tem recebido, em média, 20 cadastros por hora, 15% deles de profissionais da saúde e militares do corpo de bombeiros e da polícia. Objetivo é atender, orientar e tirar dúvidas de quem tem sofrido com a situação de caos instalada com a pandemia.
Para a psicóloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Flávia Gotelip, que participa dos atendimentos, momento é propício para que muitas pessoas se sintam sozinhas ou acumulem atritos dentro de casa. “São pessoas que estão dentro de suas casas sozinhas às vezes, que não tiveram a oportunidade de se colocarem junto com os familiares. Existem os pensamentos de incertezas das situações, em relação aos próprios números decorrentes da pandemia, com relação à economia do país, então são incertezas e seguranças de diversas naturezas. Precisamos estar atentos às consequências disso nas relações interpessoais também. Estamos atentos às situações possíveis e devidos encaminhamentos em relação a violência doméstica e abuso infantil, que a gente sabe que acontece mais dentro do espaço doméstico”, afirmou.
Qualquer psicólogo pode se cadastrar para ofertar os atendimentos. Eles passam por uma seleção interna. Especialista em atendimentos a demandas de sofrimentos extremos, crises e desastres, a psicóloga Ticiana Paiva, que está na supervisão do plantão, contudo, afirma que há uma prioridade tanto na escolha dos profissionais como no encaminhamento dos pacientes. “É uma força-tarefa e não temos como fazer treinamentos a quem estiver interessado. Então estamos priorizando e indicamos, de uma forma geral, que o psicólogo que tenha formação e experiência nesse tipo de ocorrência que de fato esteja atendendo. Profissional de saúde, bombeiros e polícias, ao entrarem no cadastro, são direcionados a uma lista de prioridades, porque a gente entende que as pessoas que estão a frente do cuidado precisam receber cuidados de uma forma mais imediata”, explicou.
A prerrogativa dos atendimentos on-line, no entanto, precisa ser muito analisada e levada a sério pelos profissionais, que continuam sendo fiscalizados independentemente da plataforma. “Em primeiro lugar tem o cumprimento ético. Não é porque o atendimento é a distância que a pessoa está desobrigada de atender aos princípios éticos do código. Algumas coisas são bem pontuais. Tem o sigilo, a guarda do material, o registro dos atendimentos e a garantia de que toda a logística desse atendimento a distância seja segura”, afirmou o presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, Reinaldo Silva Júnior.
O plantão do Conexão Afetiva pode ser acessado por meio do link disponível no site e nas redes sociais do projeto.
Site: www.conexaoafetiva.com.br
Instagram: @plantaopsi.online

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