
Rara e capaz de provocar a internação de crianças e adolescentes, a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) avança em Minas. Em uma semana, os casos investigados no Estado pularam de dois para seis. Dois são de moradores de Belo Horizonte, de 2 anos. A doença desafia médicos, que lançam um alerta aos pais.
As poucas informações disponíveis dão conta de que a enfermidade pode estar relacionada à Covid-19. Não há registros de mortes no Estado, mas todos os casos precisam de acompanhamento em unidades de saúde. O mal, que surgiu durante a pandemia, afeta vários órgãos.
Mistério para cientistas mundo afora, a SIM-P provoca febre alta e duradoura, além de pressão baixa e manchas pelo corpo (veja todos os sintomas na arte abaixo). Além disso, há registros de comprometimentos dos sistemas cardiovascular, gastrointestinal, renal, hematológi-co, dermatológico e até neurológico.
O alerta aos pais é para procurar socorro caso a criança apresente sinais durante ou após a Covid – o mesmo vale para menores que não receberam o diagnóstico de coronavírus, mas tiveram contato com algum paciente.
Até o momento, não foram detectados casos da síndrome inflamatória em adultos
Porém, não há motivo para alarde. “Sem pânico. A ida a um pronto-atendimento é para garantir que a criança seja avaliada por um profissional e, se necessário, receba os devidos cuidados, evitando que os pais façam usam de medições por conta própria”, orienta a membro do Departamento de Infectologia da Sociedade Mineira de Pediatria, Lilian Martins.
Sobre a síndrome estar ligada à Covid, a médica pede cautela. “Ainda não se pode confirmar isso. No período da pandemia, houve casos. Mas não se sabe se é uma consequência”, acrescenta a infectologista, que atua há mais de 20 anos na área.
Também pediatra e com atuação nos hospitais Odilon Behrens e São Camilo, Beatriz Adriane Gonçalves explica que ainda não existe um exame específico para detectar a SIM-P. Segundo a especialista, os profissionais se baseiam em inflamações, lesões de pele e diagnóstico positivo de Covid-19.

Acompanhamento
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que orienta os municípios e serviços de saúde a realizar a notificação de qualquer caso suspeito. Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) disse que ambos os pacientes da capital “estão evoluindo bem”.
Até o mês passado, o Ministério da Saúde havia registrado 71 casos no país. Ontem, a pasta repassou a mesma informação, sem a atualização de dados. Conforme o órgão, os casos são monitorados com o objetivo de “identificar se a síndrome pode estar relacionada à Covid-19”.
No mundo
Os primeiros casos surgiram na Europa e América do Norte. No Brasil, o Ministério da Saúde determinou a notificação obrigatória a partir do fim de julho de 2020. Na época, a pasta realizou videoconferência com os estados para explicar a situação.
Em 20 de maio, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou uma nota de alerta com critérios para identificar os casos de SIM-P, dentre os quais paciente com febre persistente. A presença do coronavírus não seria obrigatória, sendo mais comum a presença de anticorpos.

IMUNIZAÇÃO Vacinação contra chikungunya é adiada e deve começar só em junho em Sete Lagoas
SETE LAGOAS Saúde abre processo seletivo para médicos especialistas em Sete Lagoas
IMUNIZAÇÃO Sete Lagoas aguarda vacinas para iniciar campanha contra chikungunya Mín. 18° Máx. 25°


