
O primeiro estudo sobre a vacina russa contra a covid-19, chamada de Sputnik V, foi publicado hoje pela revista científica Lancet. De acordo com a pesquisa, que apresenta resultados referem às fases 1 e 2, o imunizante parece seguro, não causa efeitos adversos importantes e é capaz de induzir a resposta imune (produção de anticorpos) no organismo dos voluntários.
No entanto, a pesquisa tem limitações e os pesquisadores admitem que são necessários mais testes para a comprovação de sua eficácia.
A Sputnik V, que é uma criação de cientistas russos do Instituto Gamaleya, teve seu registro anunciado pelo presidente Vladimir Putin em 11 de agosto e gerou desconfiança por parte da comunidade científica. Pesquisadores alertam que uma vacina desenvolvida de maneira precipitada pode ser perigosa, uma vez que a fase final dos testes (3) —que normalmente dura meses e envolve milhares de voluntários— começou apenas recentemente.
Os autores da pesquisa, porém, fazem uma ressalva: não houve grupo de controle —aquele que recebe uma substância inativa, o placebo.
Sem o placebo, não foi possível comparar os efeitos da vacina russa em quem a recebeu com os que não a receberam, o que é considerado pelos pesquisadores como uma limitação do estudo, e por isso eles admitem que são necessários mais estudos para comprovar, de fato, a eficácia do imunizante.
Na fase dois da pesquisa da vacina de Oxford, por exemplo, os voluntários que fizeram parte do grupo controle receberam uma vacina contra a meningite como placebo —e o estudou foi maior, contou com 1077 participantes.
O registro de emergência concedido em 11 de agosto pelo Ministério da Saúde do país prevê o início da imunização em pessoas do grupo de risco a partir de outubro. Agora, outro ensaio clínico, maior, envolvendo 40 mil voluntários, está em andamento, e espera-se que os resultados dos testes sejam publicados entre outubro e novembro.
Durante coletiva de imprensa feita nesta sexta-feira (4) de forma virtual —e com a participação de jornalistas do mundo todo— os responsáveis pela criação do antígeno responderam perguntas, mas nada foi falado sobre uma possível parceria com o Brasil, apesar dos insistentes questionamentos dos repórteres brasileiros.

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