
Com mais de um século de vida, o lavrador aposentado Raimundo Leonardo de Oliveira, acaba de vencer a segunda pandemia ao longo dos seus 102 anos. O idoso, que em 1918 conseguiu se salvar da gripe espanhola, agora venceu a Covid-19. Ele deixou o Hospital César Leite, em Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, no dia 31 de agosto. Ao lado da mulher, Nivercina Maria de Oliveira, 92, que também superou o novo coronavírus, ele se recupera em casa, na cidade de Ibatida, no Espírito Santo.
A neta do casal, Tatiana Cristina de Amorin, 32, é quem conta parte da história, já que os avós, pelo avançar da idade, tiveram perda de audição e não conseguiram conversar com a reportagem. “Para mim é uma alegria muito grande cuidar deles. Quando ficamos sabendo que tinham testado positivo, pensamos que não iam voltar para a casa”, comemora.
O idoso foi internado no dia 17 de agosto, dois dias depois da mulher ter alta hospitalar depois ter a doença. Nos primeiros nove dias de internação, Raimundo ficou na UTI, porém, não precisou ser intubado. Após 15 dias, a alta foi comemorada equipe médica do hospital, com direito a balões e mensagens de ânimo.
Tatiana conta que, apesar de debilitado, o avô mantém o senso de humor. “Ele é muito alegre, uma pessoa que gosta de contar casos, de fazer graça e adora contar as histórias antigas. Agora, ele conta mais os casos do hospital”, diz a neta.
Tatiana afirma que um dos casos que o avô mais gosta de contar é que em setembro de 1918, com apenas 9 meses, foi infectado pela gripe espanhola. “Ele fala que pegou de sua mãe, no período de amamentação e, apesar de várias pessoas, famílias inteiras terem morrido com a doença, eles sobreviveram”, relata.
Segundo ela, a primeira coisa que o avô fez quando chegou em casa foi procurar pela mulher, com quem está casado há 75 anos. O casal teve 14 filhos e 9 estão vivos. São 22 netos, 25 bisnetos e dois tataranetos.
Enfermeiro, o neto Amós Vieira Gonçalves, 36, conseguiu acompanhar de perto a luta de seu avô contra a Covid-19. Ele trabalha no mesmo hospital onde Raimundo ficou e afirma que, pela quantidade de pessoas mortas com a doença, a recuperação do idoso é um milagre.
“Os agravamentos da doença são severos e graves. A única sequela que ficou para ele é depender de oxigênio, mas, aos poucos, será liberado. Pessoas muito mais novas não resistiram”, diz.

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