
O governo federal desviou R$ 7,5 milhões, que deveriam ser usados para testes de coronavírus, a um programa social da primeira-dama Michelle Bolsonaro. As informações foram publicadas na manhã desta quinta-feira (1) pelo jornal Folha de S. Paulo.
Em 23 de março, dias depois do "estouro" da pandemia no Brasil, a Marfrig, um dos maiores frigoríficos do país, anunciou que doaria essa quantia ao Ministério da Saúde para a compra de 100 mil exames. Dois meses depois, a Casa Civil da Presidência da República informou que o dinheiro seria usado "com fim específico de aquisição e aplicação de testes de Covid-19".
No entanto, no dia 1º de julho, após a verba ser transferida, o governo consultou a empresa se poderia usar a quantia para outros projetos relacionados à pandemia, não mais para testes. Então, o recurso foi repassado para o Arrecadação Solidária, vinculado ao Pátria Voluntária, de Michelle Bolsonaro, que já consumiu cerca de R$ 9 milhões dos cofres públicos em publicidade.
Depois, o dinheiro foi repassado do Arrecadação Solidária, sem edital de concorrência, a instituições missionárias evangélicas aliadas da ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, para a compra e distribuição de cestas básicas.
À Folha, a Marfrig disse que foi consultada "sobre a possibilidade de destinar a verba doada não para a compra de testes por parte do Ministério da Saúde, mas para outras ações de combate aos efeitos socioeconômicos da pandemia de Covid-19, especificamente o auxílio a pequenos negócios de pessoas em situação de vulnerabilidade".
“Como a ação estava diretamente ligada à mitigação dos danos causados pela pandemia, a Marfrig concordou com a nova destinação dos recursos doados”, informou a empresa. A Casa Civil não comentou o assunto.

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