Um em cada cinco pacientes que venceram a Covid-19 desenvolvem transtornos mentais até três meses depois de diagnosticados com a doença. A constatação faz parte de uma pesquisa da Universidade de Oxford, publicada esta semana na revista científica na revista "The Lancet Psychiatry". O estudo analisou registros eletrônicos de saúde de 69 milhões de pessoas nos Estados Unidos, incluindo mais de 62 mil casos do novo coronavírus. O quadro, afirmam os estudiosos, deve ser o mesmo em todo o mundo.
No Brasil, inclusive, médicos já percebem ansiedade e insônia em que enfrentou a doença, principalmente se chegou a ficar intubado. “ O paciente sofre quando é comunicado que será hospitalizado, é como se recebesse um carimbo ‘vai morrer’. Ele fica debilitado física e emocionalmente”, ressalta o psicólogo Leonardo Morelli.
Foi o que aconteceu com o consultor de franquias Valdeci Pereira da Silva Filho, 45 anos, que testou positivo para Covid em março. Além das sequelas como água no pulmão e insuficiência cardíaca, que o levaram a ficar nove dias internado em junho, hoje só dorme à base de remédio por conta da insônia – o que não tinha antes de ficar doente. A ansiedade também passou a fazer parte do dia a dia dele.
“Ao entrar naquele hospital, estava convicto de que não iria sair. Um dia me levantei e tentei abrir a porta do quarto, para ver pelo menos o corredor do hospital, mas ela estava trancada. A sensação ruim foi piorando. Moro em Belo Horizonte, mas minha família vive no Recife e meu medo era morrer sozinho, isolado”, relembra Valdeci.
Casos sérios
Psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Danielle Admoni destaca que é cada vez mais recorrente pessoas no consultório que, no pós-Covid, lutam com a ansiedade, os transtornos compulsivos e insônia. Muitas delas sem diagnóstico desses transtornos anteriormente.
Os casos ansiosos chamam a atenção. “São importantes e nem sempre fáceis de tratar, sendo necessárias doses maiores de medicamento”, relata a especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Para Danielle, a origem desses problemas pode ser orgânica e atingir o cérebro. “Ainda não sabemos ao certo o que acontece, mas a Covid tem várias manifestações neurológicas. Há pessoas que passaram a se queixar de esquecimento e dificuldade até mesmo para as tarefas simples do dia a dia, o que antes não acontecia”.
No cérebro
Alguns estudos indicam que cerca de 50% dos pacientes infectados pelo novo coronavírus desenvolvem alguma alteração neurológica, como de consciência, tonteira e dor de cabeça, frisa o neurologista Fidel Meira, do Hospital Madre Teresa. Mas, segundo ele, o papel do vírus nesses casos ainda é questionável.
“O que temos hoje é que, em algumas situações, conseguiram isolar o vírus no líquido produzido no cérebro e que vai até a espinha. Outros pacientes apresentaram encefalite (inflamação do encéfalo). Mas o mecanismo direto do vírus sobre o cérebro ainda está em análise”, frisa o médico.
Fidel destaca a resposta inflamatória com a ação do coronavírus no sistema nervoso central. “É uma doença grave, provoca inflamação no corpo todo, com a liberação de alguns marcadores, mas existem algumas manifestações típicas. Uma delas é a inflamação do cérebro ou na medula e a síndrome de Guillain-Barré”.

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