O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta terça-feira, 2, que o Estado pretende comprar 20 milhões de doses da vacina da Pfizer e 20 milhões de doses da russa Sputnik V. A gestão paulista pretende usar os dois imunizantes, junto da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, no programa de imunização contra a Covid-19.
Doria mencionou a autorização para adquirir as vacinas em reunião com prefeitos nesta terça. A vacina da Pfizer, cuja eficácia é superior a 90%, é a única que tem registro definitivo no Brasil, enquanto a Sputnik ainda busca autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação emergencial.
A Pfizer ofereceu a venda de 100 milhões de doses para o governo federal, mas a gestão Jair Bolsonaro não fechou acordo. O Ministério da Saúde chegou a dizer em janeiro que a proposta tinha cláusulas "leoninas" e também culpou a cláusula que previa a não responsabilização da farmacêutica americana por eventuais efeitos adversos causados pela vacina. Modelo semelhante de contrato foi assinado por diversos países, incluindo os Estados Unidos e europeus.
Em relação à Sputnik, os governadores foram a Brasília para conversar com o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas - AL) e também visitar a fábrica da União Química, empresa que deve produzir o imunizante russo no Brasil. Esse laboratório, no entanto, ainda não tem as certificações necessárias para iniciar a fabricação local. A eficácia da Sputnik V é de 91,6%, segundo dados publicados na revista científica The Lancet.
No último dia 20, o Ministério da Saúde autorizou a dispensa de licitação para a compra da Sputnik V e da indiana Covaxin, cujos dados de eficácia ainda não foram divulgados. Segundo a publicação no Diário Oficial da União, o custo para a compra da vacina russa será de R$ 693,6 milhões. A aplicação de doses do produto, porém, depende de aval da Anvisa.
No Congresso e no governo Bolsonaro, há intenso lobby pela aquisição da Sputnik. Na linha de frente da negociação com o Executivo federal, a União Química tem o ex-deputado Rogério Rosso (PSD-DF) e o ex-diretor da Anvisa Fernando Mendes. Além disso, o dono da empresa, Fernando Marques, foi candidato no Distrito Federal ao Senado em 2018 pelo Solidariedade e também costuma financiar campanhas eleitorais.

IMUNIZAÇÃO Vacinação contra chikungunya é adiada e deve começar só em junho em Sete Lagoas
SETE LAGOAS Saúde abre processo seletivo para médicos especialistas em Sete Lagoas
IMUNIZAÇÃO Sete Lagoas aguarda vacinas para iniciar campanha contra chikungunya Mín. 18° Máx. 25°


