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Saúde Alerta

Transmitido por mosquito, vírus do Nilo Ocidental é detectado pela 1ª vez em MG

OMS diz que 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas doença pode provocar coma e paralisia

04/05/2021 08h43
Por: Redação Fonte: Mega Cidade com O Tempo
O mosquito vetor é o do gênero Culex, popularmente conhecidos como pernilongos ou muriçocas Foto: Foto: arquivo/O Tempo
O mosquito vetor é o do gênero Culex, popularmente conhecidos como pernilongos ou muriçocas Foto: Foto: arquivo/O Tempo

O vírus do Nilo Ocidental, doença originária de aves silvestres, mas que pode ser passado para outros animais e humanos por meio de mosquitos infectados, foi detectado pela primeira vez em Minas Gerais. A descoberta realizada pela UFMG foi divulgada nesta segunda-feira (3) pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). 

No Estado, até o momento, a enfermidade foi constatada em cavalo, não tendo caso registrado em pessoas. Mas, se atingir humanos, pode levar à morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas.

Entre os casos sintomáticos, a febre do Nilo Ocidental provoca febre, dor de cabeça, cansaço e vômito. Já as formas graves da doença, como meningite e encefalite, atingem um em cada 150 infectados. Os sintomas podem ir de febre alta e rigidez da nuca a convulsões, coma e paralisia.

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Identificado pela primeira vez em Uganda, em 1937, por décadas o vírus ficou restrito a países da África, Europa e Ásia. Em 2009, porém, chegou ao Brasil. Amostras da doença foram colhidas em cavalos do Pantanal. Agora, os estudos foram ampliados para outras localidades do país.

"A partir de uma grande colaboração científica, pesquisadores detectaram o vírus do Nilo Ocidental pela primeira vez em Minas Gerais e confirmaram a circulação viral no Piauí e em São Paulo. As amostras positivas foram coletadas de cavalos que adoeceram entre 2018 e 2020", explicou a Fiocruz.

Também de forma inédita, os cientistas conseguiram fazer o sequenciamento do genoma completo dos microrganismos nos três estados. Coordenador do estudo, o pesquisador do Laboratório de Flavivírus do IOC, Luiz Alcantara, explica que as aves silvestres são consideradas como “animais reservatórios” do patógeno. 

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Assim como as pessoas, os cavalos são infectados acidentalmente, ao serem picados por mosquitos infectados. “O cavalo é a principal epizootia e atua como sentinela para a doença. Esclarecer os casos suspeitos é importante para detectar a presença do vírus na região e prevenir a transmissão para os rebanhos equinos e as pessoas”, afirma o pesquisador.

O mosquito vetor é o do gênero Culex, popularmente conhecido como pernilongos ou muriçocas. Além de se infectar ao picar aves infectadas, os insetos transmitem o microrganismo para as próximas gerações de mosquitos. Os cavalos, assim como as pessoas, podem ser infectados, mas não transmitem a doença.

Vigilância

Desde 2009, pesquisas têm apontado sinais de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental em cavalos de diferentes estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Espírito Santo, São Paulo e Ceará. No entanto, casos humanos da doença foram registrados apenas no Piauí, onde dez pessoas foram diagnosticadas de 2014 a 2020. 

O novo estudo demonstra, pela primeira vez, a presença do vírus em Minas, e reforça as evidências sobre a circulação viral no Piauí e em São Paulo. Além disso, avança na vigilância genômica. Até então, apenas um genoma completo do vírus do Nilo Ocidental tinha sido descrito no Brasil, a partir de um cavalo infectado no Espírito Santo em 2018.

Conforme os pesquisadores, o patógeno encontrado em Minas pode ter sido importado de países do continente americano. “Os dados reforçam a grande interconectividade dos países e indicam que a mobilidade humana pode desenvolver um papel importante na transmissão e introdução do patógeno. O Brasil apresenta condições climáticas ideais para a propagação dos mosquitos que transmitem o agravo, o que aumenta a necessidade da vigilância”, diz a pesquisadora visitante do Laboratório de Flavivírus do IOC, Marta Giovanetti.

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